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    PF cumpre ordens expedidas por Fachin: investigação mira doação a campanhas

    Os mandados estão sendo cumpridos em São Paulo, Goiânia e Fortaleza. Polícia busca provas sobre pagamento de propinas a políticos

    JS Jacqueline Saraiva

     

    (foto: Sergio Lima/AFP)

     

    A Polícia Federal foi às ruas de três cidades, nesta terça-feira (10/4), para cumprir oito ordens de busca e apreensão expedidas pelo ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). A Operação Tira Teima investiga pagamentos de propinas por parte de um grupo empresarial a diversos políticos. Um dos mandados cumpridos foi na sede da Hypera Pharma, novo nome da Hypermarcas.

     

    Segundo a investigação, a propina era oferecida em troca de benefícios em “medidas de interesses do grupo econômico”, como explicou a PF em nota. A operação é decorrente da delação do ex-diretor de Relações Institucionais da Hypermarcas, Nelson José de Mello, que afirmou ter repassado R$ 5 milhões em propinas para a campanha do presidente do Senado, Eunicio Oliveira (PMDB-CE), ao governo do Ceará em 2014.

     

    SAIBA MAIS

    São cerca de 40 agentes da PF para o cumprimento dos mandados de busca e apreensão em São Paulo (SP0, Goiânia (GO) e Fortaleza (CE). Os alvos são pessoas supostamente ligadas ao senador Eunício, que não é alvo de nenhum dos oito mandados de buscas autorizadas por Fachin. Não há ordens de prisão.
    As buscas ocorrem, segundo a PF, para buscar documentos e outros elementos para aprofundar a investigação. O órgão considera a notícia de doações ilegais para campanhas, que teriam sido abalizadas por meio de contratos fictícios.

     

    Em depoimento à Procuradoria-Geral da República (PGR), em 2016, Mello revelou que pagou R$ 30 milhões a dois lobistas com trânsito no Congresso para efetuar repasses de propinas milionárias para senadores do então PMDB, entre eles o ex-presidente do Congresso, Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR) e Eduardo Braga (AM).

    Delator revelou propina a políticos

     

    Entre outros crimes envolvendo políticos, a delação premiada do ex-diretor institucional da Hypermarcas, Nelson José de Mello, acusou, em maio do ano passado, o senador Eunício Oliveira (PMDB) de receber “pagamento reiterado” de propina para abastecer a campanha eleitoral de governador do Ceará, em 2014. As doações ilícitas eram feitas ao operador e lobista Lúcio Bolonha Funaro, para repasse a senadores por meio do lobista Milton Lyra.

    Ao se manifestar sobre a Operação Tira Teima, a Hypera Pharma – novo nome dado a Hyperamarcas por decisão da assembleia geral extraordinária da empresa, após as denúncias -explicou que não houve buscas no escritório da companhia em São Paulo. Reiterou que a companhia “não é alvo de nenhum procedimento investigativo, nem se beneficiou de quaisquer atos praticados isoladamente pelo ex-executivo, conforme já relatado ao longo do ano de 2016 em vários comunicados.”

     

    Trecho de inquérito sobre propina: Nelson José de Mello, acusou o senador Eunício Oliveira (PMDB) de receber “pagamento reiterado” de propina(foto: Reprodução)

     

    Eunicio Oliveira evita comentar assunto

    Na cerimônia na qual recebeu a medalha da Ordem do Mérito Judiciário Militar, o senador Eunício Oliveira foi questionado sobre as denúncias envolvendo a operação e limitou-se a responder: “Que denúncia? Não sei de nada”. O presidente do Senado saiu em seguida, em meio ao tumulto, e não aguardou o final da cerimônia. Veja fotos dele durante o evento:

     Ver galeria . 7 FotosPresidente do Senado, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), participa de solenidade comemorativa dos 210 anos da Justiça Militar da União (JMU) e recebe a Condecoração da Ordem do Mérito Judiciário Militar (OMJM), Grã-Cruz(foto: Marcos Brandão/Senado Federal )

     

    Ao longo da solenidade, Eunicio demonstrava preocupação e consultava o celular a todo momento. Segundo a assessoria do parlamentar, ele não deve comentar o assunto por enquanto.

     

    Com informações da Agência Estado

     

     

     

    Fonte: Correio Braziliense

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