Mãe de criança com microcefalia escreve carta a Papai Noel pedindo cobertor

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Marcelo Abreu, Especial para o Correio –

Lívia Evellyn rodeada pela mãe, Roseane de Souza Araújo; pelo pai, Vicente de Paulo Ferreira; e pela irmã, Débora, 9 anos: alimentação por sonda (Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press)
Lívia Evellyn rodeada pela mãe, Roseane de Souza Araújo; pelo pai, Vicente de Paulo Ferreira; e pela irmã, Débora, 9 anos: alimentação por sonda

Num barraco no meio de quase nada, nos fundos de uma igreja evangélica, depois de andar por ruas de cascalhos — e quase tendo a certeza de que o mundo podia acabar ali —, uma história de luta, dor e sobrevivência é escrita todos os dias sem que ninguém leia um só capítulo. É uma história invisível, com personagens invisíveis, dramas invisíveis e vidas invisíveis. Mas profundamente reais. É ali — distante do centro de Santo Antônio do Descoberto (GO), a 52 km de Brasília — que uma menina de 5 anos luta para viver. Acordar todos os dias é como milagre para Lívia Evellyn. Aliás, milagre é a palavra mais pronunciada pela mãe, Roseane de Sousa Araújo, de 27 anos, e pelo pai, Vicente de Paulo Ferreira Araújo, 38. Lívia nasceu com paralisia cerebral e microcefalia. Ela não anda, não fala, não ouve, não vê. Responde a estímulos com espasmos. É a única manifestação de sua presença.

Papai Noel

Tudo em Lívia é delicado. A alimentação, apenas um tipo de leite especial, é feita por sonda — ela tem gastrostomia. E para evitar que sufoque com a própria secreção, foi submetida a uma traqueostomia. A luta do pai armador de obras, que ganha R$ 1 mil, é incessante. Na Justiça de Goiás, a família ganhou o direito ao leite junto à Secretaria de Saúde do município. Cada lata custa R$ 28. Lívia toma quatro por dia. Numa conta rápida, R$ 132/dia. “Mas eles atrasam, às vezes, demora uma semana, 10 dias. Minha filha não pode ficar sem ele. É só o que ela come. Tenho que correr, pedir, implorar até pra desconhecido”, conta Roseane, que chora acariciando o rosto da filha. O pai ouve a mulher falar. E silencia diante da impotência de não poder comprar o alimento que sacia a fome da filha. Nesse momento, há um silêncio que grita naquela sala humilde.

Mesmo diante das dificuldades, Roseane ainda achou coragem para escrever uma carta ao Papai Noel. Enviou à redação do jornal. E pediu, como se fosse Lívia, diante de tantas dificuldades pelas quais passa a família: “Gostaria de ganhar um edredom com manta por causa do frio”. Na manhã de ontem, o Correio foi ao encontro de Roseane. Quando perguntada o porquê daquele pedido, ela disse, novamente em lágrimas, olhando para o vazio: “A gente vai pro hospital muito cedo. Às vezes, até de madrugada e faz frio. A manta dela tá puída”.

Trecho

“Olá, Papai Noel, tudo bem? Espero que sim. Quero lhe desejar um feliz Natal e um próspero ano-novo, cheio de paz, saúde e amor. Eu me chamo Lívia Evellyn e já tenho 5 anos de vida. Mesmo em uma situação tão complicada me sinto feliz… Eu sempre espero por um milagre, e esse ano eu esperei e vou continuar esperando, porque sei que Deus pode fazer…”

Boa causa

Quem puder ajudar Lívia pode ligar para os telefones 9199-0183, 8457-7372, 8198-9793 e 9865-8561. Ela precisa também de fraldas descartáveis XG e de latas de leite especial com o qual se alimenta.

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