Experiência de participantes do projeto revela como a presença, o vínculo e a confiança impactam a vida de jovens acolhidos e de quem escolhe apadrinhar
Criar vínculos, oferecer escuta e garantir que nenhum jovem atravesse momentos difíceis sozinho. Esses são alguns dos pilares do programa de apadrinhamento desenvolvido pelo Grupo Aconchego, que conecta voluntários a crianças e adolescentes em situação de acolhimento institucional. Entre as participantes da iniciativa está Thaís Medella, que decidiu se tornar madrinha movida pelo desejo de fazer mais pelo outro.
Segundo Thais, a motivação surgiu de forma gradual, mas profundamente conectada ao sentido de responsabilidade social e humana. “Tudo começou com a sensação de que poderíamos fazer mais pelo outro, oferecer acolhimento, escuta e afeto a alguém que precisasse. Quando conhecemos as histórias dentro do programa, esse sentimento se fortaleceu ainda mais, principalmente pela vontade de não deixar uma pessoa desamparada em um momento tão crítico da vida”, relata.
Antes de iniciar o apadrinhamento, Thais conta que havia receios naturais, comuns a muitas pessoas que se aproximam do programa pela primeira vez. “Nosso principal medo era que tanto a nossa afilhada quanto nós tivéssemos dificuldade em criar proximidade suficiente para que o vínculo afetivo se estabelecesse de forma verdadeira e duradoura. Ao mesmo tempo, a expectativa era justamente essa: ser uma presença real, alguém com quem ela pudesse contar e não se sentisse sozinha”, afirma.
Com o passar do tempo, o vínculo foi se consolidando de maneira espontânea e sólida. De acordo com Thais, a relação construída vai além do apoio pontual e se transformou em um laço fraterno. “Hoje, temos uma relação marcada pela confiança, pelo respeito e pelo afeto. Sabemos que podemos contar uns com os outros. Vibramos a cada passo de amadurecimento da nossa afilhada, celebramos suas conquistas e suas escolhas. É um vínculo genuíno, construído com cuidado e presença”, destaca.
Para a psicóloga Maria da Penha Oliveira Silva, coordenadora do projeto de apadrinhamento do Grupo Aconchego, histórias como a de Thais evidenciam o impacto do programa na vida dos jovens. “O apadrinhamento não substitui a família, mas oferece algo igualmente essencial: referência afetiva, estabilidade emocional e a certeza de que existe um adulto disponível, interessado e comprometido com aquele jovem”, explica.
Segundo Maria da Penha, a construção desse vínculo contribui diretamente para o desenvolvimento emocional e social dos apadrinhados. “Quando um jovem percebe que alguém escolheu estar ali, acompanhar sua trajetória e celebrar suas conquistas, isso fortalece a autoestima, amplia horizontes e ajuda a romper ciclos de abandono e insegurança”, afirma. O Grupo Aconchego segue ampliando o programa e incentivando novas pessoas a conhecerem o apadrinhamento afetivo.
A OSC Aconchego iniciou o Programa de Apadrinhamento Afetivo em 2002, inspirado na experiência pioneira do Instituto Amigos de Lucas, do Rio Grande do Sul. A iniciativa nasceu da necessidade de garantir que crianças e adolescentes que vivem por longos períodos em acolhimento institucional não cresçam sem referências afetivas estáveis. O programa é respaldado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pelas diretrizes nacionais de promoção da convivência familiar e comunitária. No DF, já participaram do programa mais de 200 crianças e adolescentes de casas de acolhimento do DF e, capacitou mais de 300 pessoas da comunidade para os papéis de padrinhos e madrinhas.
SERVIÇO:
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Evento: Palestra sobre Apadrinhamento Data: 7 de março de 2026 (sábado) Horário: 10h Local: Colégio Leonardo da Vinci – Unidade Asa Norte Endereço: SGAN 914 Espaço: Auditório |
Sobre o Grupo Aconchego – O Aconchego é uma entidade civil, sem fins lucrativos, fundada em dezembro de 1997, que trabalha em prol da convivência familiar e comunitária de crianças e adolescentes em acolhimento familiar e institucional.
Filiado à Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção – ANGAAD o Aconchego é reconhecido como referência em Brasília e conta com grande projeção nacional na criação de tecnologias sociais com vistas à garantia do direito das crianças e adolescentes à convivência familiar e comunitária, por meio de ações de intervenção com potencial para a transformação social e cultural.





