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    Assombração na porta do Buriti

    Dentre tantos mistérios que envolvem a promiscuidade na política do Distrito Federal, a Polícia Civil parece ter encontrado o fio do novelo que poderá expor às vísceras de um verdadeiro esquema criminoso que vem se perpetuando desde os idos do Programa Terceiro Tempo do Ministério dos Esportes, sob a tutela de Agnelo Queiroz, e que teve suas ramificações escabrosas no âmbito do Ministério de Ciência e Tecnologia, onde também Joe Valle e Rodrigo Rollemberg ocupavam cargos de secretários.

    O desconhecido Hermano Carvalho, que até hoje assessorava o deputado distrital Rodrigo Delmasso, foi introduzido no circuito político do DF através de sua irmã, a pernambucana Lucia Carvalho Pinto de Melo que sempre gozou de alto prestígio na cúpula do PCdoB, tendo exercido, inclusive, a Presidência do Centro de Gestão e Estudos Estratégico, ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, quando comandado ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, morto tragicamente num acidente aéreo.

    O corte temporal contextualizado anteriormente, bem como suas fortes influências no PCdoB, explicam a indicação de Hermano para assessorar Agnelo Queiroz no Ministério dos Esportes, onde por sua vez não faltaram maus exemplos de gestão, nem seguidos escândalos, que por fim derrubaram o ministro fã de tapioca, o comunista baiano Orlando Silva.

    Nesta época a imprensa por vezes noticiou denúncias que interligavam o prédio da esplanada que acolhia o Ministério dos Esportes aos gabinetes mais importantes do Ministério da Ciência e Tecnologia. Figuras com o policial militar do DF, João Dias Ferreira e de um pastinha chamado Célio Soares Pereira, ganharam notoriedade ao revelarem a entrega de dinheiro nas garagens da Esplanada e em outros locais mais distantes dos olhos mais atentos. Dias, inclusive, foi aquele que jogou um pacote de mais de R$ 200 mil no gabinete do então Secretário da Casa Civil de Agnelo Queiroz, o hoje Conselheiro do Tribunal de Contas do DF,  Paulo Tadeu.

    Mas nenhum personagem dessa ópera bufa conseguiu exercer tanta influência e se manter fora dos alcances dos holofotes policiais quanto Hermano Gonçalves. Considerado por muitos como o principal e mais confiável elo de ligação entre Agnelo Queiroz, Joe Valle e Rodrigo Rolemberg, Carvalho ganhou de presente a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do DF, para gerir com maestria diabólica a distribuição de lotes e incentivos do PRO-DF. Sua desenvoltura à frente do Pró-DF o permitiu aproximar-se do então vice-governador Tadeu Filipelli, que praticamente o “adotou”, tamanha a presteza com que Hermano atendia seus pedidos em favor da égide de um seleto grupo do Setor Produtivo local.

    Por fim, o deputado distrital Rodrigo Delmasso resolver atender pedidos, nomeando Carvalho para sua assessoria, transformando seu gabinete numa espécie de Valle De Los Caídos. Entretanto, o memorial espanhol franquista eregido em homenagem aos mortos da Guerra Civil Espanhola, em nada se assemelha ao gabinete do deputado Delmasso, afinal de contas não se sabe se por lá na Espanha os fantasmas voltaram para assombrar os vivos.

    Em plena campanha para a reeleição, o Governador Rodrigo Rollemberg deve estar preocupado com os desdobramentos das operações policiais que atingiram Hermano Carvalho e uma outra figura nem tão discreta, o  faz tudo e afilhado da primeira Dama, o redondo Marcelo Nóbrega, que por vezes se dizia dono da Secretaria de Saúde do DF.

    Em tempo de eleições, a sociedade aguarda ansiosamente as cenas dos próximos capítulos dessa novela. Afinal de contas, está chegando a hora de votar.

     

     

     

     

    Fonte: Donny Silva

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    Deve ler

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