Um total de R$ 842 mil em dinheiro foi apreendido na operação, sendo R$ 558 mil na casa de uma servidora(foto: Ministério Público de Minas Gerais/Divulgação)
E o Detran mineiro foi parar nas páginas policiais hoje, graças à Operação Cataclisma, deflagrada nesta quinta-feira (12).
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou nesta quinta-feira (12/12) 16 pessoas que participavam das irregularidades envolvendo o Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG). Foram recolhidos mais de R$ 840 mil pela força-tarefa, a maior apreensão feita neste ano pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Mais de R$ 19 milhões foram desviados em propinas por organização criminosa composta por delegados, policiais civis e militares, despachantes, comerciantes e donos de pátios de apreensão de veículos em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Minas Gerais (RMBH).
Em 28 de novembro, foram cumpridos 46 mandados de busca e apreensão e 13 mandados de prisão temporária. Somente na residência de uma servidora pública a força-tarefa encontrou a quantia de R$ 558 mil em dinheiro.O grupo estima montante de R$ 19 milhões.
A operação foi realizada em conjunto com o MPMG, PC, PM e Receita Estadual. A investigação também identificou esquema semelhante em Lagoa Santa, na Grande BH, ainda em apuração.
Enquanto isso, no Distrito Federal, três delegados de polícia comandam o DETRAN-DF desde junho, após a exoneração do agente Fabrício Moura, denunciado por práticas não republicanas.
E agora, misteriosamente o trio de delegados conseguiu emplacar no DF, inclusive com direito à publicação no Diário Oficial, de situação semelhante ao caso de Minas Gerais, para passar para a iniciativa privada, importantes serviços.
No dia 26 de novembro de 2019, foi publicada no DODF a INSTRUÇÃO 1447, onde o diretor-geral, Alírio Neto institui Comissão Especial responsável pelo recebimento e análise das propostas para credenciamento de empresas, por meio de chamamento público, visando o registro eletrônico de contratos e a modernização dos serviços correlatos à vistoria, preparação para leilões e RECOLHIMENTO DE VEÍCULOS.

Alírio designou os servidores Agnaldo Novato Curado Filho, José Antonio de Araújo, Fernanda Vilela Wahrendorff, Rafael Moreira Vitorino e Carla Silva Barbosa para compor a comissão a fim de receber, analisar as propostas e elaborar relatório conclusivo para que ele, que é o diretor-geral, decida quem será credenciado para atuar no Distrito Federal.
As duas categorias que compõem a estrutura do DETRAN-DF, agentes e administrativos, não engoliram até agora a nomeação de Alírio Neto para a Direção-Geral do órgão, assim como também não toleram a nomeação do DAG, delegado Agnaldo Novato Curado Filho e do diretor-adjunto, delegado Valmir Lemos de Oliveira. Os três delegados são gente boa e honestos até que se prove o contrário, mas nada entendem de trânsito.
Segundo informações de servidores, o DETRAN-DF está engessado e desmotivado com policiais no comando do órgão sem que nada entendam de trânsito e ainda com equipe fraca. E quem sofre é o cidadão brasiliense que vê um Detran inoperante, ineficiente e que estranha e subitamente quer terceirizar quase tudo para empresas ávidas por lucro fácil.
É preciso deixar que servidores que prestaram concurso público para o quadro administrativo, trabalhem na direção do órgão porque estão preparados para tal função.
Não dá para colocar delegado aposentado cuidando de trânsito. Não deu nem está dando certo. Basta perguntar para a população o que acha do órgão dirigido por delegados.
Por outro lado, é muito estranho que Alírio tenha montado uma comissão semelhante ao que ocorreu em Minas. É preciso investigar, mas primeiramente, é necessário trocar delegados por servidores de carreira do Detran-DF, cujo órgão merece e precisa ser valorizado pelas autoridades.
Ou corre-se o sério risco de ter uma operação Cataclisma no DF em breve. Alguém duvida?
Confira abaixo a lista de denunciados em Minas Gerais:
Denunciados pela Operação Cataclisma
Christian Nunes de Andrade, delegado de polícia
Marcelo Nonato Magalhães, investigador de polícia
Cláudia Márcia da Silva, investigadora de polícia
Emerson Rodrigues, servidor público municipal
Paulo Roberto Ferreira Rosa, policial civil
Wagner Tadeu Pereira Seixas, policial civil
Rodrigo Palhares Horta, policial civil
Nélio Aristeu Zeferino, policial militar
João Pedro Martins, empresário
Bárbara Flaviane dos Santos, empresária
José Moreira de Souza, gerente de pátio de apreensão
Ida do Carmo Bacelete, delegada de polícia
Any Aparecida Fernandes Bacelete Belchior Roberto de Rezende Lara, vigilante
Gliber Dias Machado, comerciante
Com informações do jornal O Estado de Minas





