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    Poder oferecido aos bancos no Brasil interfere diretamente na criação e manutenção de políticas públicas

    Segundo especialista, bancos ficaram mais fortes após estratégia adotada por governos anteriores para impedir impactos da crise de 2008, criando raízes nos principais centros de decisão públicos e privados

    BRASÍLIA, 10 DE NOVEMBRO DE 2021 – O poder dos bancos, no Brasil, influencia diretamente a criação de políticas públicas no país. Essa é a opinião do gestor em políticas públicas e internacionais, especialista da Fundação da Liberdade Econômica (FLE), Arthur Wittenberg, apresentada em conversa com o presidente da FLE, o cientista político Márcio Coimbra, durante o sexto episódio do podcast Liberdade em Foco, que pode ser ouvido na íntegra a partir deste link.

    Segundo o pesquisador, a influência das instituições bancárias nos diversos setores da economia e do poder público, inclusive com potência no relacionamento entre os parlamentares do Congresso Nacional, para o exercício da defesa de interesses, tem impacto direto sobre a construção de políticas, especialmente após a crise de 2008.

    “Na crise financeira, de forma contraintuitiva, o governo de esquerda aumentou o poder dos bancos, a concentração e o lucro bancário aumentaram, e eles conseguiram controlar melhor a economia”, explicou. “Se há uma política pública em gestação, nociva ao setor que tem muito poder estrutural na economia, o normal é que ele reaja, dizendo por exemplo que não vai mais participar do desenvolvimento da economia ou daquele setor estratégico”, completou.

    A crise de 2008 foi iniciada devido à especulação imobiliária nos Estados Unidos. Foi a chamada bolha, causada por um aumento abusivo nos preços dos imóveis. A supervalorização acabou não acompanhada pela capacidade financeira dos cidadãos de arcar com os custos. O evento culminou com a falência do tradicional banco de investimento norte-americano Lehman Brothers, fundado em 1850.

    “Nos Estados Unidos havia aqueles bancos grandes demais para quebrar, mas no Brasil nós não tínhamos isso e permitimos esse tipo de instituição e o setor público permitiu, tanto o CADE quanto o Banco Central e o Ministério da Economia, a criação de um grande conglomerado, grande demais para quebrar”, acrescentou Wittenberg.

    Sobre a FLE

    A Fundação da Liberdade Econômica (FLE) é um centro de pensamento, produção de conhecimento e formação de lideranças políticas. É baseada nos pilares da defesa do liberalismo econômico e do conservadorismo como forma de gestão. Criada em 2018, a entidade defende fomentar o crescimento econômico, dando oportunidades a todos. Nesse sentido, investe em programas para a formação acadêmica, como centro de pensamento e desenvolvimento de ideias. Ao mesmo tempo, atua como instituição de treinamento para capacitar brasileiros ao debate e à disputa política.

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