Oito anos atrás, o jovem economista vendia vinhos num supermercado de São Paulo, ganhava 5 000 reais por mês e contava menos de 100 000 de patrimônio
Ele mudou de vida em 2017, quando migrou para Brasília e foi trabalhar na banca de advocacia Nelson Wilians, uma das investigadas no caso do INSS. Um único cliente, contou, pagou 80 milhões de reais pela resolução de um problema.

Em 2024, o movimento do escritório que empregava 3 000 pessoas se aproximou do bilhão de reais. E Cavalcanti passou a exibir suas máquinas luxuosas ao público, principalmente diante do escritório no Lago Sul, durante os eventos do Lide Brasília, num gesto de ostentação jamais visto na capital.

Cavalcanti é dono de três Mercedes, uma Ferrari, dez motos, dois Cadillac e uma réplica de F1, além de coleção de quadros, relógios e vinhos. Todos apreendidos na última fase da operação Sem Desconto, em setembro de 2025.
No auge da “advocacia ostentação” do escritório Nelson Wilians, o economista Fernando Cavalcanti, então vice-presidente da banca Nelson Wilians Advogados, recebeu em 16 de outubro de 2024, o título de cidadão honorário de Brasília na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). A cerimônia de entrega da honraria aconteceu na capital federal e integrou as comemorações do aniversário dos 25 anos do escritório. A proposição foi do deputado distrital Joaquim Roriz Neto.

Em belo discurso, além de traçar a trajetória de Fernando Cavalcanti como economista e sua importância para o crescimento das relações corporativas na Capital, Joaquim Neto enfatizou o respeito que o homenageado conquistou na cidade. “Ele transita, com elegância, não só no meio jurídico, mas também nos meios político, empresarial e social. Falo com toda sinceridade: já fez mais do que muita gente que está morando aqui a vida toda. Esse título é merecido não só pelas conquistas e contribuições profissionais, mas pela pessoa que você é: carinhosa, gentil e que trata bem os outros”, afirmou o distrital.
O deputado revelou ainda que este foi o primeiro título de Cidadão Honorário que concedeu. “Tenho muito orgulho que virá das minhas mãos essa tão merecida homenagem. E falo que quem está ganhando ainda mais com esse título é a cidade, porque a gente quer homenagear aqueles que realmente merecem. Sou extremamente criterioso e esse título merece respeito”, destacou.
Pelo visto, o parlamentar não foi tão criterioso assim e as revelações da CPMI do INSS acionaram o alerta em cima de Wilians e Cavalcanti sobre a origem de tanta riqueza, e confirmou que o agora ex-sócio de Nelson Wilians “transitava no meio jurídico e empresarial” brasileiro.

- Início da Relação (2009): Cavalcanti iniciou sua jornada no Grupo Nelson Wilians na área institucional, atuando em diversas filiais.
- Ascensão na Hierarquia: Em 2017, passou a ser assessor da presidência e, em 2021, foi nomeado vice-presidente, impulsionando a profissionalização da empresa.
- Foco em Negócios e Parcerias: Sua gestão visava a expansão e a geração de novos negócios, fortalecendo o escritório.
“Receber esse título é uma honra para mim e, principalmente, estando à frente do maior escritório full service do país. Isso representa a contemplação de um trabalho que vem sendo realizado há algum tempo, em conjunto com um dos maiores nomes do direito do país, o Dr. Nelson Wilians”, relatou Cavalcanti na ocasião.

Após operação deflagrada pela Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal (PF) em 23 de abril de 2025 contra um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS, Brasília ficou em pânico porque atingiu em cheio poderosos do governo federal, além de empresários, lobista e até o irmão do presidente Lula.
Com as investigações em andamento, chegou-se aos nomes de Nelson Wilians e Fernando Cavalcanti, que foram convocados pela CPMI instalada no Congresso Nacional para apurar o escândalo do roubo aos aposentados do INSS. Eles assumiram a riqueza e afirmaram inocência, mas não convenceram os membros da CPMI.

Wilians e Cavalcanti compareceram, falaram mas evitaram responder a muitas perguntas. Em outra fase da investigação, foi pedida a prisão preventiva de Nelson Wilians, mas o ministro André Mendonça não concedeu. Houve apenas busca e apreensão.
A sociedade se formou por meio da evolução profissional de Cavalcanti dentro do grupo NW, mas foi exposta e questionada publicamente pela CPMI, que investiga conexões com atividades ilícitas, apesar das negativas do empresário.
Com o retorno das atividades no Congresso Nacional, novos e surpreendentes capítulos virão à tona.
É aquela velha história conhecida em Brasília: Desconfie sempre quando alguém fica rico rapidamente.





