Com Agnelo, PT perde militantes
Evasão de petistas aumenta após a aliança com o PMDB
A militância do PT encolheu depois que o ex-comunista Agnelo Queiroz se filou ao partido e se tornou o candidato petista ao Governo do Distrito Federal. No sentido inverso, o então pequeno PSC ganhou musculatura com o lançamento da candidatura do ex-governador Joaquim Roriz ao Palácio do Buriti. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 5% dos filiados ao PT deixaram o partido, reduzindo o número de militantes dos 8.996 registrados em 2006 para os atuais 8.545. Já o PSC cresceu 7,2% com a filiação de Roriz. Aumentou de 1.951 filiados em 2006 para 10.019 militantes.
O encolhimento não pode ser atribuído só a candidatura de Agnelo, mas à origem política dele e à aliança que ele fez com o PMDB, inimigo histórico do PT, para ser o candidato petista ao Palácio do Buriti. Durante anos, Agnelo foi filiado ao PCdoB, partido que sempre ficou a reboque do PT nas alianças de esquerda. Ao se mudar para o PT, impôs uma humilhante derrota ao deputado federal Geraldo Magela, petista histórico descartado tanto ao Governo quanto para o Senado.
A evasão e o constrangimento da militância vermelha aumentaram quando o PT recebeu de braços abertos o deputado federal Tadeu Filippelli, presidente regional do velho rival PMDB. Esse casamento continua a causar constrangimento aos militantes dos dois partidos. Tanto que raras são as imagens de bandeiras do PT e do PMDB nos comícios de Agnelo-Filippelli. Os militantes petistas são os mais ressentidos com a aliança, conforme avaliação do cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília.
Ao contrário de Agnelo, Roriz, ao se filiar, levou para o partido um exército de militantes, o que só confirma a força política do ex-governador. “O partido cresceu muito com a filiação de Roriz”, garante Valério Neves, presidente regional do PSC. “Muitos companheiros que estavam no PMDB migraram para o PSC junto com Roriz. Recebemos mais de 8 mil filiações, sendo 3 mil filiados só nos três últimos meses”, revelou.
O PSC é o partido que encabeça a coligação rorizista “Esperança Renovada”, que reúne ainda o PP de Jofran Frejat, o vice-governador de Roriz; o PSDB de Maria Abadia e o DEM de Alberto Fraga, candidatos ao Senado; e mais cinco agremiações: PRTB, PMN, PR, PTdoB e PSDC.
A coligação ganhou mais robustez com os 18.782 eleitores filiados ao DEM, os 14.651 do PP e os 14.365 do PSDB. Hoje, é a maior coligação do Distrito Federal. Segundo o TSE, dos 138.233 eleitores filiados a agremiações políticas no DF, 73.021 estão na Coligação Esperança Renovada, ou seja, representam 52,8% dos militantes inscritos em partidos. Já a coligação do candidato do PT reúne 60.254 militantes, dos quais 26. 357 são do PMDB, o ex-partido de Roriz.
Analistas políticos avaliam que boa parte da militância do PMDB, que sempre esteve ao lado de Roriz contra o PT, não vai às ruas defender Agnelo. “Esperamos que essa militância vote como sempre votou: em Roriz”, confia Valério Neves.





