APETITE VORAZ

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Da revista  Brasília em Dia: Apetite Voraz

Os políticos que têm intimidade com o deputado distrital Benedito Domingos (PP) chegaram à conclusão de que o fome dele e a garganta são enormes, praticamente insaciáveis, principalmente quando o cardápio na mesa apresenta como prato principal o dinheiro que sai do bolso dos contribuintes. Não é de hoje que isso se verifica, porque o hábito vem de longe. Nesse sentido, sua atividade política pavimenta o acesso mais fácil para enriquecer sua família – além dele, os filhos e até os netos participam dessa festa. A começar pelo patriarca, todos têm um apetite voraz.

Benedito Domingos descobriu que a política é o caminho mais curto para se conquistar o poder e para tirar todo o proveito possível. Afinal, dinheiro nunca é demais, muito pelo contrário, principalmente quando se trata de dinheiro público e fácil, muitas vezes desviado de uma destinação social, para hospitais ou obras necessárias para a cidade. Pouco interessam, a Benedito Domingos e à sua prole, os anseios da sociedade, que fica prejudicada, enquanto eles ficam mais ricos.

Como não existe crime perfeito, a família de Benedito Domingos negligenciou a eficiência da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), considerada uma das mais eficazes do país, que investigou e constatou que o clã conseguiu acumular, em apenas quatro anos, nada menos do que R$ 13,9 milhões, uma fortuna saída dos impostos que os contribuintes deixam nos cofres públicos. Não foi difícil reforçar os bens vultosos da família, com o cacife do pai, que fazia abrir todas as portas do governo com uma espécie de “Abre-te, Sésamo!”, uma palavra que tinha a força de comando.

A Polícia Civil, em ações orquestradas com o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), realiza as investigações, e as duas forças já estão perto de desvendar como o clã conseguiu amealhar um volume tão alto sem que as autoridades do GDF conseguissem apurar como e quando a família adquiriu tão grande soma em bens em tão pouco tempo. Habilidade de uma família que certamente contou com toda a desfaçatez de profissionais muito experientes ou com toda a blindagem e a facilidade que os governos dos últimos anos se encarregavam de facultar, pavimentando o caminho da impunidade, que custou R$ 9,1 milhões, em recursos federais repassados pela Eletrobrás.

O clã dos Domingos foi favorecido pelo dinheiro dos contribuintes, tendo conseguido vitórias em concorrências do GDF. Entre elas, por exemplo, para reformar pontos turísticos e também para criar o clima nas festas de Natal e no Carnaval, como se fossem exclusivamente direcionadas para eles, sem que as demais empresas participantes da licitação tivessem qualquer chance de vencer as concorrências. Uma delas foi a reforma da fonte luminosa do Eixo Monumental, na área próxima à Torre de Televisão, obra custeada pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap).

Considerado uma versão de Odorico Paraguaçu do Cerrado, Benedito é um homem que fala baixinho, sem se exaltar, mesmo quando está sendo criticado. Durante muito tempo, ele manteve uma relação difícil com o então governador Joaquim Roriz, de quem era vice. Por vários anos, os dois mantiveram apenas compromissos protocolares, com poucas palavras, só quando tinham que se falar.

Os adversários políticos costumam se referir a ele com maldade, ironizando que não tem currículo, mas sim prontuário, depois de ter sido citado no escândalo da Operação Caixa de Pandora. Segundo investigações da Polícia Federal, Benedito teria reforçado sua conta bancária com nada menos do que R$ 6 milhões para apoiar José Roberto Arruda nas eleições de 2007. Também pudera a cizânia dos inimigos!

Com o cerco em torno dele, Benedito vê cada vez mais minguadas suas chances de escapar ileso deste caso, considerando-se que terá de se explicar à Justiça. Indiciado pela Polícia Civil, ele é acusado de formação de quadrilha e por fraude em licitação. Sentindo a corda sendo enlaçada em seu pescoço, depois que a Câmara Legislativa anunciou a instauração de um processo contra ele por quebra de decoro parlamentar, Benedito Domingos antecipa a decisão de dar por encerrada sua trajetória política, jurando de pés juntos que irá voltar para a atividade privada.

Só que ninguém acredita nisso, porque seu juramento não passa de um estratégico pano de fundo.

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