“Dono de avião” entregou propina para Campos e Bezerra Coelho, diz MPF

0
6

Em parecer, procurador detalha o esquema de pagamento de suborno para políticos em dinheiro vivo

POR JOÃO VALADARES – CORREIO BRAZILIENSE

O Ministério Público Federal atesta, com base em informações da Operação Turbulência, que o empresário João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho, dono do avião que caiu durante campanha presidencial de 2014 com Eduardo Campos, em Santos, foi reconhecido por ex-funcionários da Camargo Correia como sendo a pessoa encarregada de entregar propina devida pela construtora ao ex-governador de Pernambuco e ao senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE).

 

O Correio teve acesso à integra do inquérito da Polícia Federal que desencadeou a Operação Turbulência. Em parecer encaminhado à juíza da 4ª Vara Federal Amanda Torres Lucena da Justiça Federal em Pernambuco, no dia 16 de junho, que expediu os mandados de prisão contra cinco líderes do grupo criminoso, o procurador da República Cláudio Henrique Dias detalha o esquema de pagamento de suborno para políticos em dinheiro vivo. “(João Carlos Pessoa de Melo Filho) Foi também reconhecido pelos ex-empregados da Camargo Correia como sendo a pessoa encarregada de entregar a propina devida por aquela empreiteira ao ex-governador Eduardo Campos e ao senador Fernando Bezerra Coelho em virtude das obras na refinaria Abreu e Lima”, atesta.

 

O MPF diz, com base nas informações da PF, que João Carlos controla as movimentações “de branqueamento de recursos através das contas de pessoas físicas e jurídicas investigadas, sendo autor de diversas operações financeiras suspeitas”. O inquérito da Polícia Federal, que utilizou informações compartilhadas pela Lava-Jato, também envolve a empreiteira OAS. João Carlos “foi reconhecido pelos operadores financeiros Roberto Trombeta e Rodrigo Morales como viabilizador da venda de dinheiro em espécie para pagamento de vantagens indevidas pela OAS, cobrando taxa de 2% sobre o montante total e indicado às contas de diversas pessoas físicas e jurídicas para o recebimento dos recursos”.

 

O presidente do PSB, Carlos Siqueira, garante que não houve caixa 2. Ele alega que o partido tem “plena confiança na conduta do nosso querido e saudoso Eduardo Campos.” Fernando Bezerra Coelho declarou, por meio de nota, que “repudia” a vinculação dele ao caso. Apesar de ser citado nos autos, a assessoria do parlamentar comunicou em nota que “o senador não é sequer mencionado nos autos da investigação”. Ele diz que não foi coordenador das campanhas de Eduardo em 2010 e 2014.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui