Salomão, no livro de Eclesiastes, nos ensina que há tempo para tudo debaixo do sol. Mas hoje o tempo é de tristeza e de sentimento de orfandade. O Distrito Federal perdeu sua maior figura pública. Um visionário que pisou nesse chão de terra batida, antes mesmo de Juscelino Kubitscheck transformá-lo na capital de todos os brasileiros.
É um tempo de luto por um homem que escreveu muitos capítulos da história da ainda jovem Brasília. Um nome acima de diferenças ideológicas e matizes partidárias. Um governador ousado que rescreveu o projeto de Lucio Costa e Oscar Niemeyer, ajudando estes dois grandes vultos a aperfeiçoar sua obra prima.
É um tempo de saudade. De lembrar dos dias em que a visão social se encontrou com o desenvolvimento e caminharam juntos. Joaquim Domingos Roriz reedita o que foi dito no passado e deixa a vida para entrar na história, como um verdadeiro estadista que cuidou do povo com o coração no presente e os olhos no futuro.
Hoje é tempo de consolar Dona Weslian que com seu jeito discreto e elegante elevou o conceito de família a um siginificado mais amplo e abriu sua casa e seus braços para receber a todo o nosso povo sofrido, que encontrou em Brasília um alento nos dias difíceis e um homem para chamar de pai.
O Distrito Federal está órfão. E toda a classe política também. Pois foi Roriz que ensinou a todos nós a sermos vermelhos, azuis, verdes e de todas as cores possíveis em uma democracia saudável e verdadeiramente republicana. Jaqueline, Liliane, Weslliane: nossas irmãs de luta, juntamente com Joaquim Roriz Neto, recebam o abraço sincero de todos nós que assim como Joaquim Roriz sempre sonhamos com o melhor para o DF e nosso povo.
Porque hoje é tempo de aprender tudo aquilo que Roriz nos ensinou e guardar a lição de que o maior exemplo de gestão que existe é governar com amor, olhando sinceramente nos olhos de cada cidadão desse nosso quadrado, de Ceilândia a Planaltina, de Engenho das Lajes aos Lago Sul e Norte.
Suspendo minhas atividades, pois hoje é tempo de parar e refletir. Eu que entrei na vida pública instada pelo sonho, mas incentivada por Joaquim Roriz. Eu que agora me sinto tão pequena diante da grandeza da biografia e da sabedoria de Joaquim Roriz, percebo que agora é hora de silêncio. O calar solene da saudade que jamais calará nos corações de todo o Distrito Federal.
Eliana Pedrosa





