
Por Fred Lima
Confesso que não conseguia enxergar, até então, um cenário que favorecesse uma possível candidatura do ex-deputado distrital e presidente do Tribunal de Contas do DF, Renato Rainha, à eleição para governador em 2018. A causa é que o ex-deputado está afastado da política eletiva desde 2001, ano em que foi nomeado pelo então governador Joaquim Roriz para ocupar uma cadeira vitalícia no TCDF.
Na virada do século, Rainha representava a renovação e era tido como provável candidato a governador na disputa de 2002. Sua pré-candidatura assustava Roriz e o PT, que sonhava retornar ao Palácio do Buriti após a saída de Cristovam Buarque. Outros partidos, aliados do PMDB e do PT, também temiam o jovem Renato, que despontava como o principal opositor de dois modelos de gestão um pouco desgastados.
Discreto diante dos holofotes políticos desde 2001, Renato Rainha voltou a se destacar quando foi eleito presidente do TCDF, em dezembro de 2014. Sua atuação como presidente da Corte tem sido implacável no quesito de fiscalizar os gastos do Governo de Brasília. Em agosto passado, por exemplo, Rainha afirmou que 50% do orçamento governamental é perdido pela corrupção ou incompetência dos gestores públicos. Talvez tenha sido a declaração mais impactante que um presidente do Tribunal tenha dito.
Alguns ainda atribuem a saída de Renato Rainha da política a uma jogada de mestre do então governador Roriz, que viu um forte opositor com chances reais de acabar com seu projeto político de reeleição. Não posso afirmar se é verdadeira ou não a história de que o então distrital se “vendeu” a Roriz por uma vaga no TCDF. O problema é que parte do eleitorado da época ainda tem essa desconfiança. Caso saia candidato, Rainha vai ter que esclarecer à população o que o fez deixar a política em um momento tão importante.
Em um reinado tradicional, a rainha se assenta ao lado do rei, servindo como auxiliar. Só que no “reinado” do DF, Rainha não faz o papel de subserviente do “rei”, mas de fiscalizador. Por isso, enquanto os possíveis pré-candidatos começam a brigar nos bastidores para sentar no trono de “rei”, Renato já sai em vantagem fazendo o papel de “rainha”, mas exercendo uma função diferente dos reinados que conhecemos, como foi dito. Até mesmo a posição física do TCDF é de uma “rainha”, que está à esquerda do “rei” (Buriti).
Como presidente do TCDF, Renato Rainha sabe onde o governo gasta muito, e mal. Se usar a experiência que teve no Legislativo e no Tribunal de Contas, pode vir a ser um ótimo nome para suceder o governador Rodrigo Rollemberg, e, caso vença, vai realizar o sonho adiado por 17 anos, deixando de ser “rainha” para ser “rei”.
Fonte: Blog do Fred Lima





