GDF NÃO CONSEGUIU SUPERAR DESAFIO DE FORMAR BASE SÓLIDA NA CÂMARA

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Do Correio Braziliense: GDF não conseguiu superar desafio de formar base sólida na Câmara

 

Ricardo Taffner

A formação de uma base sólida na Câmara Legislativa (CLDF) tem sido um desafio que o Governo do Distrito Federal (GDF) ainda não conseguiu superar. Até agora, o Executivo não vem mostrando eficiência para unir o grupo e tem passado aperto nas negociações com os distritais. A primeira grande prova no Legislativo tem sido justamente a distribuição dos espaços da Casa. As articulações não têm apresentado resultados e, nos bastidores, os deputados demonstram insatisfação e pouca paciência com a forma do governo negociar. Apesar de o ano Legislativo ter começado há duas semanas, em 1º de fevereiro, apenas ontem os deputados conseguiram chegar a um consenso sobre os nomes que ocuparão as presidências da maior parte das comissões temáticas, responsáveis por analisar as proposições em tramitação.

Segundo deputados governistas, o maior problema encontrado até o momento é a desorganização da base. Alguns afirmam, inclusive, não saber quem está realmente do lado do GDF ou na oposição. Para o líder do bloco formado pelo PT e pelo PRB, Chico Vigilante (PT), o governo precisa anunciar quem são os aliados. “Da forma como está é muito difícil trabalhar e isso está atrapalhando o andamento da Casa”, afirma. Um dos entraves para organizar o grupo está na grande fragmentação partidária. Segundo o coordenador da assessoria parlamentar do GDF,  Wilmar Lacerda (PT), atualmente, 19 deputados são contabilizados na base.

 O número, que ainda pode aumentar, reflete o agrupamento de 12 partidos em torno dos interesses do governador, Agnelo Queiroz (PT). Para Vigilante, esse contingente é
 “impraticável”. Olair Francisco (PTdoB) ainda não faz parte das contas oficiais de Lacerda e, apesar de integraro bloco formado por parlamentares da oposição, se declara como governista. “Fui o primeiro a entrar na base. Em meados de novembro, o governador me chamou para oferecer uma administração (regional). Respondi que só precisaria esperar a eleição da Mesa Diretora”, declara.

Para alguns distritais, entretanto, o número de deputados aliados deve oscilar para mais ou para menos a depender das negociações. A quantidade de aliados pode chegar a 21 dos 24 deputados. Com isso, a articulação terá de ocorrer toda a vez que algum assunto de interesse do Executivo estiver em discussão na Casa Legislativa. No entanto, a queixa é de que existe diferença no tratamento e deputados de “primeira, segunda e terceira categoria”. As articulações não estariam ocorrendo  no ritmo desejado pelos integrantes da Câmara. “Existe uma insatisfação de parte da base. O governo precisa melhorar as conversas e, pelo menos, atender as ligações dos deputados”, critica Cristiano Araújo (PTB).

Interlocução
Outro problema apontado pelos distritais está na falta de entendimento entre os interlocutores do governo. O debate acirrado sobre a distribuição do poder na Câmara começou no primeiro dia do ano e precisou da mediação de representantes do governador — o secretário de Governo, Paulo Tadeu (PT) e o vice-governador, Tadeu Filippelli (PMDB) — para ser resolvido. Mas parte do impasses foi prorrogada por mais um mês e estouraram nas mãos dos novos nomeados. Na linha de frente, estão Wilmar Lacerda, o líder do governo na Casa, Wasny de Roure (PT), e o próprio presidente, deputado Patrício (PT). “O governador tem de dar um enquadramento, porque, até agora, ele não fez isso”, avalia Vigilante.

Lacerda afirma que não há problemas na relação entre os representantes do governo, mas apenas diferença na postura da atual gestão em relação às anteriores. “A nossa característica é da coalizão republicana. Não vamos dar tratamento desigual a nenhum parlamentar”, afirma. Segundo ele, a disputa por espaço ocorre apenas entre os deputados e o GDF não quer interferir diretamente. A dificuldade, afirma o coordenador, está justamente na complexidade da formação dos blocos e de como os deputados se movimentam na Câmara. “Não é fácil, por isso há dificuldade em determinar a linha de posição do governo.”

Wasny avalia esse momento como natural em um processo de construção da base. “As coisas não estão totalmente claras”, diz. Segundo o líder, a insatisfação surge por conta das demandas pessoais dos deputados ainda estarem emperradas. Isso faz com que os distritais não se posicionem definitivamente. “A gente é pau para toda obra e tem costas largas para isso. Tenho minhas imperfeições, mas jamais trabalharei para qualquer tipo de interesse escuso. Podem até me destituir do cargo”, declara.

Depois de muita conversa, o entendimento

Luísa Medeiros

Depois de semanas, os distritais garantem ter fechado acordo para eleger hoje os comandantes das nove comissões permanentes da Câmara Legislativa. Reunião ocorrida na noite de ontem com líderes dos blocos partidários e alguns deputados envolvidos na disputa eleitoral selou a indicação para a presidência e a vice-presidência de sete comissões. Agora, só falta acertar detalhes sobre quem ocupará as principais cadeiras de duas delas — a da Comissão de Economia, Orçamento e Finanças (Ceof) e a de Assuntos Fundiários (Caf) — o que deverá ocorrer antes do pleito, previsto para as 15h, no plenário da Casa. A briga para fisgar a liderança da Ceof está polarizada entre Agaciel Maia (PTC) e Olair Francisco (PTdoB). A vaga titular da Caf é cobiçada por Cláudio Abrantes (PPS) e por Rôney Nemer (PMDB).

A composição completa das comissões só não foi fechada ontem porque alguns parlamentares não conseguiram localizar os colegas interessados no assunto, como Cláudio Abrantes. Quem atendeu o telefone participou como convidado da reunião dos líderes, na Presidência da Câmara. Agaciel, Liliane Roriz (PRTB), Wellington Luiz (PSC) e Celina Leão (PMN), por exemplo, acompanharam as últimas costuras. “Vamos fechar um acordo de consenso entre os 24 deputados sem olhar para os acertos do passado”, afirmou Rôney Nemer.

Liliane deverá presidir a Comissão de Assuntos Sociais (Cas), Wellington deve ser o corregedor da Casa e, para tanto, receberá o bônus de ocupar a vice-presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), cujo titular deverá ser Chico Leite (PT). O nome do petista sempre foi defendido por interlocutores do governo para a vaga. O governador Agnelo Queiroz (PT) deverá contribuir pessoalmente para convencer Olair Francisco a abrir mão da Ceof.

A tese de que suplentes de deputados não abocanhariam os principais lugares das comissões será defendida. Outra deputada do bloco de oposição que ficará à frente de uma comissão é Celina Leão (PMN). Ela deve comandar a Comissão de Ética. Aylton Gomes (PR) é o nome cotado para a presidência da Comissão de Segurança. A Ouvidoria da Câmara provavelmente ficará com Evandro Garla (PRB), que integra a base do governo.

Os nomes acertados ontem podem ser remanejados, no entanto, na reunião que antecederá a eleição no plenário da Câmara. Está marcada para as 14h, um encontro para amarrar as indicações antes da votação.

Apostas

» Assuntos Sociais — Liliane Roriz (PRTB)

» Economia, Orçamento e Finanças — Agaciel Maia (PTC)/Olair
Francisco (PTdoB)

» Educação — Washington Mesquita (PSDB)

» Assuntos Fundiários — Rôney Nemer (PMDB)/Cláudio Abrantes (PPS)

» Ética — Celina Leão (PMN)

» Constituição e Justiça — Chico Leite (PT)

» Segurança — Aylton Gomes (PR)

» Ouvidoria — Evandro Garla (PRB) — Bloco de apoio ao PT

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