
E para quem achava que o assunto estava acabado, investigadores responsáveis pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que apura o esquema fraudulento envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB), avaliam que o organograma da organização criminosa criado para operacionalizar o caso ainda não está completo.
A investigação terá novas e decisivas fases nas próximas semanas para esclarecer grandes questionamentos. Um deles é saber quem era o principal beneficiado do esquema de lavagem de dinheiro e pagamento de propinas. Os investigadores apontam que as novas diligências pretendem recolher documentos e provas sobre o papel de cada um dos agentes no esquema criminoso.
Para isso, o grupo criou tentáculos no sistema financeiro, no setor bancário e também na mídia, garantindo a diluição dos recursos das fraudes em contratos supostamente lícitos. O ápice do plano seria a compra do Master pelo BRB, anunciada em março de 2025, mas vetada pelo Banco Central em setembro do mesmo ano, ou seja, dois meses antes de a autoridade monetária liquidar extrajudicialmente o Master.

Além disso, duas delações que estão encaminhadas devem acrescentar capítulos adicionais na investigação: a de Daniel Vorcaro, dono do Master, e do advogado Daniel Lopes Monteiro, que tinha uma coleção de carros de luxo, como Porsches, relógios de marca e obras de arte. Amigo de Paulo Henrique Costa, o advogado é acusado de ser o operador jurídico e financeiro do esquema de fraudes bilionárias.
Segundo informação do Correio Braziliense, um dos alvos na mira das investigações é o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB), e chegou a ser citado por Vorcaro como presente em encontros que discutiram a compra do Master pelo BRB, mesmo após o banco da capital federal ter identificado a compra de R$ 12,2 bilhões títulos podres, com tendência de causar prejuízo bilionário aos cofres da instituição que vem tentando se capitalizar para reduzir o tamanho do prejuízo deixado pelas operações com o banco de Vorcaro.
Ainda segundo reportagem do Correio Braziliense, o ex-governador nega ter realizado encontros para discutir qualquer atividade ilegal ou ter realizado pressões para a compra do Master pelo BRB, mas se empenhou muito em entrevistas e principalmente no envio urgente de projeto de lei à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) para que o Banco de Brasília (BRB) comprasse parte do Banco Master. A CLDF aprovou rapidamente o Projeto de Lei nº 1882/2025 em agosto de 2025. Logo em seguida, Ibaneis sancionou a Lei nº 7.739/2025, oficializando o aval para a transação.
A lei autorizou o BRB a adquirir 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais do Banco Master. A compra só não foi feita porque o Banco Central (BC) vetou.

Vorcaro e “PH” eram próximos de vários caciques de partidos do Centrão (Progressistas e União Brasil). A questão é quem vai delatar quem primeiro. O senador e presidente nacional do Progressistas, Ciro Nogueira e Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, estão sob a mira de investigações da Polícia Federal (PF) relacionadas ao chamado “Escândalo do Banco Master”.
O nome do deputado Arthur Lira (PP) e de pessoas ligadas a ele também aparecem em desdobramentos e contextos relacionados ao escândalo. Reportagens e apurações jornalísticas destacam a proximidade de Lira com figuras centrais do caso. O ministro do TCU, Jhonatan de Jesus, que relatou processos de interesse do banco na corte, é apontado como um aliado próximo cuja indicação ao cargo teve apoio decisivo de Lira.

- Mensagens e Proximidade: A PF obteve mensagens onde Vorcaro se refere a Ciro Nogueira como “grande amigo” e comemora uma proposta legislativa (apelidada de “emenda Master”) que aumentaria a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o que beneficiaria o banco na época.
- Uso de Aeronaves: Documentos indicam que Nogueira e Rueda utilizaram helicópteros de Vorcaro em novembro de 2024 para deslocamentos durante o GP de Fórmula 1 em São Paulo.
- Aproximação Master-BRB: Os dois políticos são citados como figuras influentes que facilitaram a articulação para a venda do Banco Master ao estatal BRB (Banco de Brasília).
- É notório dentro do Banco de Brasília (BRB), a forte influência (ainda hoje) do senador Ciro Nogueira (PP).
- O jornalista Luís Costa Pinto revelou as ligações políticas de Daniel Vorcaro, principal acionista do Banco Master com o mundo político. Segundo o jornalista, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, e o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), são os principais “amigos” de Vorcaro na política. “Vorcaro tem um laço muito estreito e muito grande com organizações políticas em Brasília e na operação federal. Os maiores amigos dele na política são Ciro Nogueira, presidente do PP, Antonio Rueda, presidente do União Brasil e Arthur Lira, ex-presidente da Câmara”, disse Luís Costa Pinto.
Segundo a PF, a grande dificuldade é conseguir provar o que era legal ou ilegal no esquema, como contratos aparentemente lícitos, mas que eram usados para lavar dinheiro, ocultar patrimônio ou ser desviado para as contas pessoais dos beneficiários para o pagamento de propina.
“Nós temos policiais muito bem preparados para este tipo de investigação, que sabem detectar muito bem essas diferenças do que é lícito ou ilícito. Não só o conhecimento técnico, mas empírico. Mas o grande problema neste tipo de investigação é fazer a comprovação. Existem várias maneiras de tentar limpar os rastros, não deixar o traço do dinheiro, o famoso ‘follow the money’, e outras tentativas de tentar dissimular essa utilização indevida, ilegal do dinheiro”, destaca Flávio Werneck, diretor de Estratégia da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef).
CONTRATOS MILIONÁRIOS DE FACHADA
Os novos desdobramentos da Operação Compliance Zero também devem concentrar-se no uso de contratos de fachada de publicidade para ocultar dinheiro proveniente de propina, lavagem ou para tentar pressionar autoridades reguladoras, como o Banco Central. Os investigadores atuam para separar o que são contratos de mídia legítimos, voltados para ações do banco e divulgação de produtos e resultados, dos que foram adotados exclusivamente para beneficiar os envolvidos no esquema.
Dois sites do DF estão na Mira da PF porque receberam muito dinheiro do Banco Master: Um recebeu R$ 27 milhões e outro R$ 1 milhão. O jornalista Léo Dias recebeu R$ 9,9 milhões.
A PF investiga onde foi parar tanto dinheiro, para quem e qual motivo. O cerco está se fechando em Brasília.





