O MAIOR COMPROMISSO DE AGNELO

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DISTRITO FEDERAL
Compromisso de Agnelo é fazer o certo

Francisco Dutra, Jornal de Brasília

Antes das investigações da Caixa de Pandora, as apostas para o próximo governador do DF concentravam-se nos nomes de José Roberto Arruda e Joaquim Roriz. Com o escândalo, ambos foram afetados pelas repercussões das denúncias e o nome de Agnelo Queiroz cresceu numa verdadeira arrancada, que culminou em uma vitória expressiva nas urnas no último dia 31 de outubro, com 875.612 votos. Nesta entrevista, Agnelo diz que o escândalo está longe de ser um presente. O petista enxerga o caso como uma ferida na capital federal e promete fazer um governo ético para evitar que episódios como esse se repitam. “A população escolheu o novo caminho e vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para resgatar a credibilidade, a autoestima da cidade”, comenta Agnelo.

Para isso, o governador eleito promete realizar profundas mudanças nos mecanismos de fiscalização do Governo do Distrito Federal. Além do fortalecimento dos órgãos de controle interno do GDF, os planos anticorrupção incluem uma nova postura para com os poderes Legislativo e Judiciário. Agnelo pretende evitar, a todo custo, o jogo de troca de favores com a nova legislatura da Câmara Legislativa.

“Aquela relação com a Câmara Legislativa não pode mais se repetir. É absurdo esse negócio de pagar mensalinho para deputado votar projeto. Teremos um outro governo, uma outra Câmara Legislativa”, afirma o governador eleito. As promessas estão feitas, agora resta esperar para ver se elas serão concretizadas nos próximos quatro anos.

 
Qual sua avaliação sobre o escândalo deflagrado pela Operação Caixa de Pandora na vida dos
moradores do DF?

O escândalo da Caixa de Pandora desgastou a cidade, arrasou a autoestima do brasiliense, que não merecia isso.

Que lições esse escândalo deixou para a política no DF? Quais heranças a população e a classe política receberam com o caso?

Foi importante a depuração, a limpeza que ela (Operação Caixa de Pandora) provocou no meio político. Fui às ruas durante a campanha propondo um novo caminho para o Distrito Federal. Uma grande aliança se fez em torno disso para tirar a capital do nosso País dessa tragédia que se instalou na administração pública. As denúncias da Caixa de Pandora mostram um Brasil novo em que não cabe mais impunidade.

A cidade já se recuperou da crise gerada pelo caso? O que o senhor pretende fazer para reverter essas feridas?

Me elegi com o compromisso de (fazer uma) mudança radical na forma de gestão pública. Não dá mais para continuar esse modelo atrasado, essa forma que levou nossa capital para as páginas policiais. Os gastos serão rigorosamente controlados. Vou criar a Secretaria da Transparência. A corregedoria,controladoria e ouvidoria terão status de secretaria.

Ao longo da campanha eleitoral, o senhor prometeu dar ferramentas para que o cidadão pudesse fiscalizar a máquina pública de forma independente. Essas promessas continuam de pé?

A aplicação dos recursos públicos poderá ser acompanhada num sistema inspirado no Portal da Transparência (site criado pelo Governo Federal). Vou criar também um disque-denúncia da administração pública para receber informações do que pode estar ocorrendo de irregularidade, mantendo o sigilo de quem liga.

Na prática, grande parte dessas mudanças não dependem apenas de ações do GDF. Como andam as conversas com as instituições fiscalizadoras do DF?

Já estive no Ministério Público e no Tribunal de Contas do DF buscando informações sobre as áreas problemáticas do GDF e orientação para soluções em parceria. Meu mandato será totalmente dentro da legalidade.

O que o senhor pretende fazer para que seu governo não seja alvejado por uma crise semelhante? Como andam as conversas com sua base de apoio nesse sentido?

Quem integra a minha aliança tem a consciência de que o modelo de gestão vai mudar. Que não haverá espaço algum para as velhas práticas. Quem está comigo, concorda, e, por isso, está ao meu lado. A ruptura com o passado já se deu. Não permitirei deslizes. Isso valerá para todos os integrantes do meu governo.

As investigações da Polícia Federal revelaram uma relação, no mínimo, questionável entre os poderes. Como fazer para não cair nas mesmas armadilhas? A relação com a Câmara Legislativa será revista?

Aquela relação com a Câmara Legislativa não pode mais se repetir. É absurdo esse negócio de pagar mensalinho para deputado votar projeto. Teremos um outro governo, uma outra Câmara Legislativa.Terei uma base em que a relação será bem diferente. Os deputados precisam ser prestigiados, valorizados pelo Executivo pelos projetos que apresentam à cidade, com a parceria para implantar benefícios à população.

Para cientistas e especialistas políticos,a Caixa de Pandora foi, de certa forma, uma presente para o senhor, pois inviabilizou o nome do então governador, José Roberto Arruda para concorrer ao GDF. O escândalo também afetou o seu concorrente, no início da corrida eleitoral, Joaquim Roriz, pois levantou a questão da Lei da Ficha Limpa na mente do eleitorado. Como o senhor vê isso?

Não encaro desta maneira, como presente. O que aconteceu na cidade foi uma tragédia. As denúncias revelaram publicamente o que andava acontecendo e precisava parar. Mas esses debates influenciaram a disputa eleitoral. Dentro desse contexto, ficou mais claro, mais evidente, a minha posição, a minha conduta e história de vida que se diferenciam bem dos envolvidos no escândalo. A população escolheu o novo caminho e vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para resgatar a credibilidade, a autoestima da cidade.

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