OPINIÃO | Pacto por Brasília, o Palácio do Buriti e a falta de diálogo

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Por Ricardo Callado


A reunião na manhã desta terça-feira (31), na residência do deputado Izalci Lucas (PSDB), foi carregada de simbolismo. Reuniu políticos de diferentes tendências. Na pauta, os parlamentares se comprometeram em ajudar o Distrito Federal a sair da crise.

Toda a ajuda é bem-vinda, principalmente em tempos de poucos recursos e avaliação baixa. O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) não pediu ajuda. Por ele, o Palácio do Buriti está no rumo certo.

Rollemberg acredita que essa movimentação tem como pano de fundo desgasta-lo ainda mais perante a opinião pública. E expor mazelas de seu governo. Tem até razão de pensar assim. Tentou, inclusive, esvaziar o encontro, chamando no mesmo horário deputados distritais aliados ao seu projeto.

Não deu muito certo. A reunião na casa de Izalci Lucas juntou 15 parlamentares e representantes. Na lista, além do anfitrião, que é coordenador da bancada federal do DF no Congresso Nacional, e do presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle (PDT), estavam Celina Leão (PPS), Wasny de Roure (PT), Raimundo Ribeiro (PPS), Cristiano Araújo (PSD), Wellington Luiz (PMDB) e Robério Negreiros (PSDB).

E ainda os federais, além de Izalci, Laerte Bessa (PR), Rogério Rosso (PSD), Alberto Fraga (DEM), Roney Nemer (PP), Augusto Carvalho (SDD) e Ronaldo Fonseca (Pros), e os senadores Reguffe (sem partido) e Cristóvão Buarque (PPS).

O peso político dos nomes que se reuniram tem que ser levado em consideração. Eles e outros que poderão vir depois formaram o Comitê Permanente de Avaliação Estratégia, batizado de CPAE.

O grupo será composto por um senador, dois deputados federais e dois deputados distritais. E pretende se reunir quinzenalmente com o governador ou com representantes do GDF que ele indicar.

A oposição está estendendo a mão ao governo. Quer levar soluções para problemas graves que o GDF vem enfrentando nos últimos anos. Na lista de assuntos, está desde a crise financeira, o desenvolvimento econômico até a crise hídrica.

Se essa intenção vai para frente só o tempo dirá. Esbarra em pelo menos dois pontos. Primeiro, dentro do grupo de vários políticos que visam disputar cargos majoritários em 2018. Alguns com chances inclusive de vir a ser governador.

O segundo o ponto é que Rollemberg evita conversar com parlamentares, principalmente de oposição. Quando faz, é mais pela fotografia do que o compartilhando de ideias.

Mesmo tendo sua carreira política com mandatos na Câmara Legislativa, Câmara dos Deputados e Senado Federal, o atual governador evita dividir decisões com deputados e senadores. Desde o início da sua gestão trata a Câmara Legislativa como um poder inferior e corrompido. E o que o grupo mais falou no encontro na casa de Izalci foi sobre diálogo, um pacto para salvar Brasília.

Se isso não acontecer, Rollemberg pode ser criticado por não aceitar sugestões e fugir do diálogo. Se aceitar, terá que dividir os frutos com os parlamentares. Essa é a armadilha colocada para o governador.

Se a política for feita da forma correta, quem ganha é Brasília. A união em tempos difíceis sempre é bem-vinda e pode trazer resultado. A contaminação eleitoral pode atrapalhar, mas esperamos que não.