Oposição precisa se unir para vencer

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Pré-candidato ao governo do DF pelo PSDB, Izalci Lucas alerta que a oposição deve se unir para vencer as eleições e acredita que o presidenciável Aécio Neves pode ajudar a mudar o quadro político atual

   JURANA LOPES
jcosta@grupocomunidade.com.br
  Redação Jornal da Comunidade

[credito=Foto: William Sant'Ana]Em entrevista ao Jornal da Comunidade, o deputado federal Izalci Lucas (PSDB) avaliou o atual governo do Distrito Federal como péssimo e disse que a oposição deve se unir para vencer às eleições. Para ele, pré-candidato ao governo, o apoio de Aécio Neves (PSDB) deve influenciar na escolha do próximo governador da capital. Sobre a Câmara dos Deputados, Izalci informou que cumpriu seu papel, mas destacou que o governo federal só libera alguma emenda se for de  deputado que vota ou discursa em seu favor.

Pretende entrar nas eleições de 2014? Qual cargo visa disputar?
Eu sou pré-candidato dentro do PSDB ao cargo de governador, estamos trabalhando nesse sentido de unir todo o partido no meu nome, para me lançar como governador.

Como está a movimentação partidária do PSDB no DF?
Ganhamos dois deputados federais, tanto eu como o Pitiman viemos para o partido e fizemos uma boa nominata de pré-candidatos a deputados distritais e federais. Já começamos as reuniões para selecionar os melhores até as convenções, que é em junho do ano que vem. São 220 pré-candidatos dentro do partido e nós só temos 48 vagas sem coligação e 72 com coligação. Estamos na fase de participação de reuniões para definir a nominata que será aprovada em junho.

Qual sua expectativa pessoal para as eleições de 2014?
Acho que temos todas as condições de ganhar o governo. O atual governo tem uma rejeição muito grande. As prioridades do governo não são as prioridades da população, que exige serviços com padrão de qualidade para a educação, saúde, segurança, coisa que já fomos durante alguns anos referência nacional. Brasília já teve a melhor educação, saúde e segurança, hoje não temos mais isso. No ano passado ficamos em penúltimo lugar em evasão e competência do ensino médio, as escolas estão abandonadas. A saúde só é boa na propaganda, porque na prática as pessoas morrem na fila aguardando consulta. Pelas pesquisas o índice de rejeição é altíssimo. Eu não vejo nenhuma dificuldade nas próximas eleições em ganhar, apesar do poder econômico e da estrutura do atual governo. Além disso, temos a vantagem do Aécio Neves ser candidato à presidência da República, ele pode nos ajudar muito aqui. As pesquisas demonstram que ele será vitorioso no DF e ele tem como mostrar para nós o modo de governar do PSDB, com ética, eficiência, boa gestão e meritocracia. O fato de termos um candidato à presidência facilita pra nós, com o apoio que ela já possui, ele pode viabilizar a nossa candidatura ao governo do DF.
Qual a expectativa do partido sobre a candidatura de Aécio Neves à presidência?
Está muito claro nas pesquisas que mais de 65% da população quer mudança. Não temos que olhar índice de aprovação da presidente Dilma, até porque ela esta na mídia todos os dias, com bilhões gastos em propaganda, ela é conhecida por toda a população brasileira, é natural que ela tenha esse índice de aprovação. Está muito claro que o povo quer mudança. Aécio Neves está preparado para governar o Brasil. Nosso desafio agora é levar as eleições para o 2º turno e com certeza sair vitorioso. A economia está ruim, o Brasil perdeu credibilidade no mercado internacional, a indústria brasileira perdeu competitividade, a inflação está no patamar maior, e esse fator vai influenciar muito no cenário presidencial. Este governo conseguiu realmente aumentar o índice de segurança de investimento no Brasil, o maior desastre deste governo foi no setor econômico, pois enquanto ele seguiu o que o PSDB plantou a coisa deu certo, quando decidiu fazer as coisas por conta própria, tudo desandou. A gestão do PT é muito ruim.

Como o Sr. vê a candidatura de Eduardo Campos e de Marina Silva?
É um nome novo, já foi ministro do governo Lula. É um nome muito respeitado e inclusive, ligado ao Aécio, nos pensamentos da economia, na forma de governar. Eduardo Campos é um aliado de 2º turno.

Como o Sr. avalia os pré-candidatos ao Buriti?
Tanto a candidatura do (deputado federal) Reguffe (PDT) como a do (senador Rodrigo) Rollemberg (PSB) mostra a divisão do governo do PT, afinal eles apoiaram nas últimas eleições a candidatura do Agnelo Queiroz. Isso mostra uma fragilidade para o atual governo. Há uma tendência muito forte de composição para enfrentar o governo Agnelo. Todos têm consciência que precisamos buscar um entendimento para unir a oposição. Não tenho dúvidas que estaremos juntos com PR, DEM, PPS, Solidariedade, pois somos oposição a esse governo e teremos que deixar as vaidades de lado para atingirmos o objetivo principal: tirar o PT do governo. Todos os pré-candidatos ao governo têm essa consciência. Hoje, Arruda e Roriz são elegíveis, mas não sei se eles irão até o final, sem contar que o PT tem como fazer determinadas manobras para prejudicar a candidatura de algum deles. Mas, de qualquer forma nós do PSDB conversaremos com eles, pois precisamos juntar a oposição para ganhar o governo. Vejo com grandes possibilidades o entendimento e a possibilidade de haver uma candidatura única e fortalecida.

Como o Sr. avalia seu trabalho na Câmara dos Deputados?
Fiz aqui o meu dever de casa. Em dois mandatos eu fui secretário na área de Ciência e Tecnologia do DF e trouxe, inclusive no segundo mandato, a educação profissional. Então conheço bem a máquina do governo e percebi que dificilmente teríamos condição de fazer uma gestão eficiente se não mudássemos a legislação na área federal, a questão da ciência, tecnologia e educação. Viemos com esse propósito de trabalhar na Comissão de Educação, na Comissão de Ciência e Tecnologia uma transformação na legislação e conseguimos isso. Já aprovamos o Plano Nacional de Educação (PNE), em que participei da Comissão especial e fui um dos responsáveis pela aprovação dos 10% do PIB e o avanço da legislação.

Plano Nacional de Educação já está aprovado?
Na Câmara, sim. Semana que vem o Senado votará o PNE, para definir um plano de educação para os próximos dez anos. Na área da ciência e tecnologia estamos tendo uma revolução, mudando até a Constituição. Sou relator da matéria, que é a PEC 290, o que vai mudar o país em termos de desenvolvimento econômico. Eu fui, inclusive, destacado em um estudo técnico de uma universidade do RJ como o 5º parlamentar mais atuante da Câmara do Deputados, em função de projetos, discursos, relatorias, participação nas comissões, isso foi um motivo de alegria. Cumpri meu dever de casa, mas tenho a preferência é pelo Executivo, por isso sou pré-candidato ao governo.

Como está a votação do orçamento federal para 2014?
Ainda teremos um entendimento agora, os detalhes serão esclarecidos essa semana, pois o governo aprova o que quer aqui. O que estava pegando eram as questões das emendas impositivas, que não foi votado em função do prazo legal, mas foi colocado na LDO e na LOA a obrigação do orçamento impositivo, que a Dilma ameaçou vetar e aí poderia comprometer a aprovação do orçamento. Mas agora o governo decidiu se entender com a Câmara e devemos votar na semana que vem, se o governo não vetar a LDO e depois incentivar a base a aprovar a PEC que introduz o orçamento impositivo.

Como é a relação do governo federal e a Câmara dos Deputados?
É a mesma relação que ocorre na Câmara Legislativa. É um governo de cooptação. Não é nem de colisão, é de cooptação. Na questão das emendas deste ano, as emendas para shows foram bem maiores que para saúde e educação, o que é absurdo. Eu recebo inúmeras denúncias de corrupção e irregularidades dentro de administrações regionais, mas as pessoas não têm como provar porque corrupção ninguém passa recibo. É estranho essa relação entre Executivo e Legislativo e do mesmo jeito que acontece na CLDF acontece aqui (Câmara dos Deputados), só que aqui o instrumento de troca é justamente as emendas. O governo libera emendas para quem vota de acordo com ele e quem faz o discurso dele. Se o discurso ou votação for contra o governo, não se consegue a liberação de emendas. Por isso, o orçamento impositivo das emendas é importante nesse sentido, porque o governo não dá um tratamento republicano para isso. O correto é que libere as emendas independentemente se é ou não, oposição, não tinha que olhar o parlamentar e sim, o projeto, se realmente é meritório. Mas o PT só libera para quem é a favor dele aqui no Congresso. Insistimos pelo orçamento impositivo para que as emendas deixem de ser um balcão de negócios e ameaça de votação. Toda vez que tem votação importante para o governo, ele ameaça não liberar as emendas ou libera logo para ter a contrapartida imediata.

O Sr. acredita que o povo vai mudar o atual cenário em 2014?
Sem sombra de dúvidas, as manifestações de julho mostram a insatisfação do povo com os serviços públicos. Além disso, o povo viu a disposição que o governo teve em gastar em estádios padrão Fifa. Então a população começa a cobrar essa mesma qualidade e esse mesmo padrão nos serviços públicos prestados à população, que só é visto em propagandas. Esse é um governo que tem um discurso lá fora e uma prática bem diferente aqui dentro. O PT governa em cima do marketing.

 

 

 

Fonte: Jornal da Comunidade

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