Oposição tem de se unir, toda, contra Agnelo

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Isa Stacciarini
isa.coelho@jornaldebrasilia.com.br

Filha mais nova do ex-governador Joaquim Roriz, a deputada distrital Liliane Roriz tem pronta a avaliação do governo Agnelo Queiroz: “é péssimo, é horrível”. Ela se mantém firme quando o assunto é a candidatura do pai à eleição do ano que vem. Avisa: Roriz é candidato. Mas Liliane admite que está disposta a ser o nome para um possível plano B. Tudo, porém, com um clima de união, que inclua nomes como Cristovam Buarque, Rodrigo Rollemberg, Reguffe e Toninho do PSOL.

 

Qual a avaliação que a Sra. faz do governo Agnelo Queiroz?

 

Péssimo. Horrível. Como ando muito nas ruas, estou tomando uma aversão tão grande à postura do Agnelo que fico comprometida a tentar tirar Brasília desse caos. E é o que a gente tem feito. O que você tem de fazer? Tem de escutar essas pessoas e dar esperança para elas de que um dia isso vai mudar, porque a revolta é muito grande, assim como a insatisfação e o descaso dele com as pessoas, também. As pessoas choram. Buscam uma saída para o  que está acontecendo, principalmente quando a gente fala de saúde. Porque não tem como viver sem saúde. Não há como o sujeito ficar quatro, cinco, seis horas esperando atendimento na rede pública e dois, três meses esperando cirurgia.

 

Isso tem efeitos políticos?

 

O Agnelo é muito mal avaliado em todas as pastas. Na segurança, as pessoas ficam reféns de um policial que ganha mal, está exausto de tanto trabalhar, faz um extra para receber R$ 300 e trabalha 24 horas e até 72 horas. O salário não dá para pagar as contas. Você percebe falta de comando na atual gestão. Se meu pai tivesse tanto dinheiro como o orçamento do Agnelo, de R$ 32 bilhões, ele ia fazer muito pela cidade, mas o atual governador dá prioridade a coisas que não são o que a população quer. Por exemplo, ela quer é bom transporte público e os atuais ônibus são ruins, estreitos, pequenos, onde cabem 30 pessoas. Os usuários do transporte, quando estão na parada de ônibus, pensam que vão embarcar em um ônibus conservado que tem ar-condicionado, onde ele vai sentado, mas quando essa pessoa vai pegar o ônibus ele já está lotado e não tem como sentar ali. Naquele ônibus que existia, sucateado, velho, ao menos cabiam 50 pessoas. E o que é pior: diminuíram a frota. Esse é um governo mentiroso, que faz propaganda mentirosa dizendo que saúde melhorou. Coisíssima nenhuma. Eu sou presidente da Comissão de Saúde na Câmara Legislativa do Distrito Federal e comecei a ir em hospitais, postos de saúde, postos família e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e ver a realidade. Teve um posto de saúde em que perguntei o que estava faltando à responsável pela farmácia. Ela disse disse: “Você quer que eu diga por ordem alfabética?”.

 

E o que a oposição vai fazer quando estiver no comando?

 

Depois de identificado os problemas, eu estou fazendo um relatório que vou mandar até para o Ministério Público do Distrito Federal. A estrutura física de alguns hospitais está envelhecida e tem de fazer outro. É o caso do Hospital Regional de Planaltina. Não adianta mais fazer puxadinho daqui e dali. Outra opção é deixar a unidade ali e fazer outro, operacional, com uma gestão diferente. Mas a verdadeira saída é estar presente e cobrar. Se o governo tem vontade, disponibilidade de estar ali e trazer uma equipe comprometida, identificando os problemas, a saúde pública tem solução. Como a segurança, a educação, o transporte. Nós temos muito dinheiro. Falta de recurso e orçamento não é. É um absurdo colocar para a população que não tem como comprar um esparadrapo porque não tem dinheiro.

 

 Acredita que a expectativa do governador Agnelo Queiroz é de não ter adversário na eleição do ano que vem? De outro lado, a oposição não parece desunida? 

 

Na realidade há necessidade de algumas pessoas serem menos egoístas e pensarem mais na cidade. Eu acredito que, mais cedo ou mais tarde, as pessoas vão se unir e se mobilizar para tirar nossa cidade do caos. Tenho fé que isso vai ocorrer, porque o PT é isso que está aí, uma tragédia para a nossa cidade. Não há comando, temos um governador que não sabe governar, que não tem sensibilidade e se mostrou não estar aí para o povo. Demonstrou que a prioridade dele é outra, como construir estádio caro, e outras mazelas que estão por aí.

 

O retorno do ex-governador Joaquim Roriz pode ser o gatilho desse processo?

 

Pode ser, sim. Ele mais que ninguém é prova que dedicou a vida dele por essa cidade. Ele está com 77 anos e poderia não mais entrar nesse processo, mas está fazendo por amor. Ele vai contagiar e a gente vai derrotar o PT. Falei para o meu pai que temos de discutir e chegar a uma solução com todos que querem o bem de Brasília,  o senador Rollemberg, o senador Cristovam Buarque, com o deputado federal Reguffe, o Toninho do PSOL. Temos que se unir, dar os braços e as mãos e pensar na cidade.

 

Como avalia o anúncio de reaproximação entre o vice-governador Tadeu Filippelli e o governador Agnelo Queiroz?

 

O que eu ouço do povo quando saio na rua é: “Fala para o seu pai não se envolver com o Filippelli, pois uma vez que ele traiu sempre irá trair”, ou então “O Filippelli não merece o amor do seu pai”. Ou mesmo: “O Filipelli está usando seu pai para se cacifar com o Agnelo”. O meu pai acreditava que ele pudesse estar junto da gente de novo, mas foi mais uma decepção. Minha mãe alertou, mas meu pai não acreditava muito não.

 

Ficou surpresa com a atitude do Filippelli?

 

Eu não. No aniversário de 30 anos da Novacap me convidaram e eu fui. O Filippelli estava lá, eu o abracei. Quando voltei falei para o meu pai que tive no aniversário da Novacap e contei que não tinha sentido firmeza nele não. Nós preparávamos o meu pai para não tomar outro golpe, mas a gente acha que tem couro grosso para as coisas, né? Tolice nossa, mas acabamos sofrendo com tudo. A vida segue, bola para frente, mas agora a possibilidade de confiança novamente com o Filippelli é difícil.

 

E o seu pai, como ficou diante da atitude de Filippelli?

 

Muito triste, porque afinal de contas foi o Filippelli que procurou meu pai. Meu pai nunca foi atrás de Filippelli. Para ele, foi uma surpresa, porque Filippelli falou muito mal do Agnelo, sempre colocou que a atual gestão não tinha jeito, que o governo é mal avaliado, que a equipe não se entende. É isso que nós ouvíamos. Não escutávamos nada de diferente do que o povo sabe. Meu pai ficou muito abalado, mas não como na primeira vez em que Filippelli o sabotou.

 

Então seu pai é candidato à governador no ano que vem?

 

É candidato.

 

E você?

 

Vou de distrital novamente.

 

No quesito saúde o seu pai está preparado para encarar uma campanha? 

 

De manhã meu pai tem dois turnos de hidroginástica. Ele fez uma cirurgia grande de coluna que é difícil e traumática para qualquer pessoa de idade e até para aquelas mais jovens. Em seguida fez a do coração, que ficou zerado. Agora espera um transplante de rim. Mas a saúde do meu pai está ótima,  e não impede a candidatura dele. O que a gente espera é que a Justiça seja justa com ele. De toda forma nós temos esperança de que poderá concorrer às eleições do ano que vem.

 

Liliane Roriz seria o plano B?

 

Eu me coloco a enfrentar o desafio. Quando se trata de conhecer dos problemas da cidade estou preparada, porque se tem que saber o que povo quer. Você não precisa inventar nada, é só consertar o que está aí e pensar que pode solucionar os problemas se tiver uma equipe com o mesmo pensamento. Não tenho medo de desafios. Se esse for o meu, tenho certeza que muita gente vai entrar no desafio junto comigo. Ele não é só meu, mas de todos nós que estamos aqui. É a vontade de uma multidão de gente que está por trás disso. Se for colocada essa hipótese para mim, vou aceitar e lutar muito por isso. A gente aprendeu com meu pai a lição de não arregar. Vamos, enfrente e lute por isso. O que eu preciso fazer? Arregaçar as mangas? Então vamos atrás. Meu pai foi uma pessoa sempre atenta a assessoria dele. Dou um exemplo: trouxe o Washington Novaes e criou a primeira Secretaria do Meio Ambiente. Meu pai teve a felicidade de buscar pessoas de fato qualificadas para estar na equipe dele  e criar uma atmosfera diferente onde as pessoas podem participar, perguntar, trazer discussões, o que não acontece nesse governo. Um exemplo claro é sobre o PPCUB que é um absurdo. Não se levou o plano à vontade popular, ao conhecimento da cidade. Por interesses imobiliários querem vender nossa cidade, vender a Terracap. Isso é patrimônio nosso. Fui a única a votar contra a Terracap se tornar uma agência, mas é isso que vai acontecer. Daqui um tempo a Terracap não vai existir mais.

 

Como a Sra. avalia a postura hoje da Câmara Legislativa e de outros órgãos que poderiam acompanhar com uma lente mais apurada o governo Agnelo?

 

É muito estranho, não? Parece que a gente retrocedeu 20 anos, parece que a democracia está acabando. É triste isso. Vemos pessoas tão comprometidas a não dizer a verdade, a não colocar os fatos claros, parecem pessoas vendidas. Tenho pena disso, porque quem vai sofrer são as futuras gerações da nossa cidade. Como faz pra mudar isso? O Agnelo  já segurou por muito tempo esses deputados todos, e deve segurar mais tempo. Mas a gente fica lamentando, pois está a olhos vistos que isso vai fazer muito mal para nós. Se não há embate político e se não tem discussão é ruim. Eu, Celina Leão e Eliana Pedrosa queremos debater questões importantíssimas e não conseguimos, pois a maioria passa por cima como um trator e o governo pressiona. A pressão é muito grande, porque as pessoas  têm cargos no governo.  A credibilidade da CLDF foi muito comprometidas, tempos atrás, houve mudanças — como no voto aberto ou no 14º e 15º salários — e isso precisa ser resgatado. Se o parlamentar estiver comprometido fica mais fácil ao governo fazer operações lá dentro. De minha parte, não tenho nenhum emprego do governo. Não tenho nenhuma vaga nesse GDF. Fiquei livre para agir, para ver o que poderia fazer para melhorar a vida da população e saber o que o povo quer. FTive tempo disponível em aprofundar, discutir, analisar e conversar com categorias e sindicatos. Então estar descomprometida com o governo foi ótimo, pois tive oportunidade de as pessoas me avaliarem e me verem de uma forma diferente. As pessoas foram muito preconceituosas com meu pai, embora não conhecesse que a gestão dele foi extremamente democrática.

 

A Sra. é sempre lembrada como vice e como oposição você analisa a possibilidade de estar em alguma chapa? O que existe de concreto?

 

Quando entrei na CLDF entrei ainda tímida e de cabeça baixa. Não entrei prepotente, soberba, com postura de “filha do Roriz”. Precisava  ter noção do que iria fazer ali. Tive período difíceis, como o fato de me posicionar diante do ocorrido com minha irmã. Eu cresci porque tive pessoas próximas de mim que abriram muito minha cabeça. A gente aprende todos os dias uma coisinha diferente para a vida. Fico muito feliz por isso e ouço muito que eu cresci, tenho mais maturidade, trabalhei e trabalho. Isso é gostoso demais de escutar. É muito bom saber que tenho disponibilidade de crescer e que sou lembrada dessa forma em um tempo tão rápido. Mas isso não me muda em nada não. Acredito que tudo seja missão e há um plano de Deus nisso aí. Sem achar que sou pretensiosa, mas entendo que Deus coloca as coisas na sua vida para te testar. Eu estou feliz por isso e feliz pela possibilidade de compor uma chapa que pense na cidade.

 

E qual nome  não quer ver nessa chapá de jeito nenhum?

 

Agnelo. Jamais! Agnelo e os companheiros que estão perto dele.

Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br

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