PRESIDENTE DO DEM DESMENTE ARRUDA E DIZ QUE NÃO PEDIU DINHEIRO

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POLÍTICA
Presidente do DEM desmente Arruda e diz que não pediu dinheiro

Luciana Marques, Veja Online

O recém-empossado presidente do Democratas, senador José Agripino (RN), negou nesta quinta-feira as acusações do ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, contra o partido. Em entrevista a VEJA, Arruda acusa os ex-colegas de legenda de também receberem recursos dos empresários que integravam a quadrilha que atuava em Brasília. Ele ficou dois meses preso depois de aparecer em um vídeo em que aparece recebendo dinheiro do ex-secretário Durval Barbosa.

“É uma declaração inverídica. Não tem fundamento isso, não dá nem para compreender”, avaliou o presidente do DEM. O ex-governador acusou Agripino e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) de baterem à sua porta para pedir ajuda financeira. “Ele deve ter razões porque eu e Demóstenes pedimos a expulsão dele do partido”, completou o senador.

Segundo Arruda, Agripino pediu 150.000 reais para a campanha da sua candidata à prefeitura de Natal, Micarla de Sousa (PV), em 2008. E ainda diz que, depois de eleita, a prefeita agradeceu o empenho do ex-governador.

Demóstenes afirmou ao site de VEJA que entrará com uma ação contra o ex-governador por calúnia. “É o esquema do porco, que está na lama e tenta buscar um monte de gente para querer dividir isso com ele”, disse. O senador afirmou que jamais participou de reunião a sós com Arruda para tratar de financiamento de campanha ou qualquer outro assunto.

Já o ex-presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (GO), admitiu que Arruda era influente no setor empresarial e ajudou o partido a conseguir recursos para a campanha de candidatos democratas em 2008. “Ele conseguiu empresas que doaram recursos para o partido e nós tivemos a transferência do dinheiro aos candidatos”, disse. Maia negou, no entanto, que os recursos tenham origem ilegal. “Está tudo registrado na contabilidade do partido”, defendeu.

Por outro lado, Maia desmentiu Arruda no que se refere à campanha para prefeitura do Rio de Janeiro. De acordo com o deputado, o ex-governador nunca contribuiu com recursos para as eleições na cidade.

O deputado ACM Neto (DEM-BA) também negou que Arruda tenha conseguido recursos para sua campanha à prefeitura de Salvador. “Eu nunca tive com o ex-governador para tratar sobre financiamento de campanha”, afirmou. Para ele, as declarações de Arruda são uma reação à sua expulsão do partido: “É natural que ele tenha ressentimentos, mas é um absurdo que faça acusações levianas e mentirosas”.

O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) admitiu ter se encontrado com Arruda e cerca de vinte empresários do setor de transportes, mas negou que a reunião tenha sido realizada a seu benefício. “Ele queria se apoderar dessas linhas para fazer um projeto político-eleitoral e invadir as áreas do estado de Goiás”, defendeu-se. Em seu Twitter, o deputado afirmou que encaminhará um requerimento ao Ministério da Justiça e ao Ministério Público Federal para que divulguem, se houver, qualquer fato envolvendo seu nome no caso Arruda.

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) também negou que tenha pedido ajuda para o ex-governador para pagar a dívida de sua campanha presidencial em 2006: “Não é verdade de jeito nenhum”.

Sobre a afirmação de Arruda de que o PSDB também foi ajudado financeiramente por ele, o presidente do partido, deputado Sérgio Guerra (PSDB-PE), rebateu: “Nunca pedi e nunca recebi ajuda do ex-governador”.

Também citado por Arruda, o ex-senador Marco Maciel (DEM-PE) não foi localizado pela reportagem.

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