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Fruto de parceria entre a Ponte Jornalismo e a Fundação Heinrich Böll, o podcast promove o debate sobre os abusos cometidos pelo aparelho repressivo do Estado (polícias, Ministério Público, Judiciário, sistema prisional) a partir de histórias de pessoas que foram vítimas de condenações e prisões sem provas. Ao longo de seis episódios, a série apresenta uma linha narrativa com depoimentos dessas vítimas – todos homens negros e periféricos – e análises de especialistas como as advogadas criminalistas Dora Cavalcanti, do Innocence Project Brasil, e Priscila Pamela dos Santos, do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), e o tenente coronel aposentado da PM paulista e mestre em direitos humanos Adilson Paes de Souza, que se aliam ao trabalho de apuração jornalística, conduzido pela jornalista Maria Teresa Cruz, também apresentadora de”Prove Sua Inocência” . “A nossa proposta, com esse podcast, é expor os vieses e as injustiças cometidas pelo sistema de Justiça”, conta Antonio Junião, co-fundador da Ponte Jornalismo e co-idealizador do “Prove Sua Inocência”. “Queremos alcançar um público mais amplo, que, muitas vezes, não está habituado a debater esses temas e que tem, na maioria das vezes, o populismo penal dos veículos de mídia sensacionalista como referência no debate sobre segurança pública. Esse projeto alia o rigor do jornalismo investigativo a uma linguagem emocionante e atraente”, finaliza. Uma das histórias trazidas pelo “Prove Sua Inocência” é a do auxiliar de produção Jonatas Barbosa dos Santos, de 30 anos. Morador da periferia de Guarulhos, na Grande São Paulo, ele foi preso depois de bater a bicicleta em uma viatura da Polícia Militar. O choque veio logo em seguida: homônimo de um integrante da facção criminosa paulista PCC, que era procurado pela Justiça, ele teve a prisão decretada. As provas robustas de que Jonatas não era o verdadeiro foragido foram ignoradas pelas polícias Civil e Militar, pela Promotoria e pelo Judiciário, e ele foi condenado a mais de 16 anos de prisão. No caso de Jonatas, o fato de ter tido uma passagem pelo sistema prisional sete anos antes pesou muito mais do que qualquer outra evidência. Outro caso contado na série é o de três jovens – Lennon Seixas Vieira da Silva, 27, e os irmãos Bruno e Rodrigo de Souza Prazeres, de 27 e 31 anos – moradores da região do Capão Redondo, Zona Sul de São Paulo, presos acusados de roubo de veículo. Todos eram primários. Nesse caso, o reconhecimento dos “suspeitos” realizado pela polícia não constava no Código Penal, uma vez que apenas os três jovens estavam neste processo de reconhecimento – o que já o torna irregular. Ainda assim, o fato que mais chama atenção é que o próprio sistema judiciário legitimou a ilegalidade: os três jovens acabaram atrás das grades, mesmo com o STJ (Superior Tribunal de Justiça) tendo decidido que este tipo de evidência não é suficiente para condenar alguém. A pesquisa para esse projeto conta também com a colaboração de organizações da sociedade civil, dentre elas estão Mães de Maio, Rede de Resistência e Proteção ao Genocídio e Instituto de Defesa do Direito de Defesa, que ajudaram a selecionar casos emblemáticos também incorporando perspectivas de raça e classe. A própria concepção do conteúdo ilustra a necessidade de concepções pautadas nessas questões, uma vez que todas as histórias envolvem pessoas pretas que moram na periferia. O podcast “Prove Sua Inocência” pode ser escutado nas plataformas digitais Spotify, Deezer e Google Podcasts, entre outros, a partir do dia 15 . 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