PT: SER OU NÃO SER GOVERNO ?

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Do Correio Braziliense: A missão de derrotar Wilson Lima — candidato do ex-governador Joaquim Roriz (PSC) — na eleição indireta encorajou o Partido dos Trabalhadores do DF a se juntar ao PMDB. A reação desigual da militância do PT, no entanto, provocou um recuo no partido e rachou os petistas entre os que apoiam e aqueles que desaprovam a aproximação ao novo governo. O tema promete ser o mais polêmico da reunião do diretório regional da legenda marcada para hoje à noite. A ocupação ou não de cargos na administração Rogério Rosso (PMDB) também será decidida.

O PT é conhecido por ser um partido que segue as posições tomadas em colegiado. Por isso, a importância do encontro de hoje na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT) a partir das 19h no Conic. O que for decidido pela maioria dos 43 dirigentes regionais no DF terá de ser tomado como regra no partido, que possui 15 tendências diferentes. Um posicionamento oficial e uniforme da legenda virá de uma queda de braço entre dois grupos.

De um lado, estão as tendências mais à esquerda, que concentram a maioria dos militantes e querem trilhar um caminho para as eleições de outubro independente do PMDB. Esse grupo usa como argumento a proximidade que os peemedebistas mantiveram com os governos acusados de corrupção e se ampara ainda em uma pesquisa interna realizada pelo PT, que apurou alta rejeição numa chapa eventualmente formada pelo pré-candidato ao GDF Agnelo Queiroz e o presidente do PMDB local, Tadeu Filippelli.

De outro lado, tentará prevalecer a opinião de uma corrente de petistas mais vinculada à direção do partido, diretamente envolvida na negociação sobre as eleições. Há representantes desse grupo na Articulação, a maior tendência do partido e onde estão abrigados, por exemplo, o presidente da legenda no DF, Roberto Policarpo, e Agnelo Queiroz. Quem é favorável a uma aproximação com o PMDB alega que esse movimento, assim como foi fundamental para a determinar a vantagem na eleição indireta, continuará sendo decisivo para neutralizar a força de Joaquim Roriz na disputa.

Mandato
O mandato eletivo é outra linha de corte na polêmica da aliança com o PMDB. Quem tem e quer manter o posto na próxima legislatura acha arriscado assumir publicamente a união com o partido do governo. Isso explica a postura de distritais do PT que ou são radicalmente contra a junção, como Chico Leite, ou evitam declarar publicamente apoio à aliança, a exemplo de Paulo Tadeu e Cabo Patrício.

Durante compromisso do PT no último fim de semana, o deputado federal Geraldo Magela (PT) optou por um discurso de distanciamento em relação ao PMDB. “Devemos nos antecipar e não aceitar participar desse governo. Temos um projeto e queremos nos unir com outros partidos para ganharmos a eleição e começarmos a governar em 1º de janeiro de 2011”, disse Magela, que deve concorrer a uma vaga ao Senado Federal.

Agnelo, que nos bastidores tem defendido a junção com o PMDB, não descartou a hipótese e falou em unir esforços: “Vamos iniciar um projeto de mudança, alternativo, pensando nos próximos 50 anos. Será um programa de governo com os nossos aliados para diminuir as forças do adversário, que está no poder há muito tempo e fazendo políticas desajustadas e conservadoras”.

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