Residencial com 4 mil apartamentos ameaça pesquisas com gado da Embrapa

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Servidores da Embrapa Cerrados, onde são desenvolvidos trabalhos com o gado nelore, afirmam que o Residencial Planaltina, às margens da BR-020, vai comprometer experimentos. Governo do DF nega

 

Manoela Alcântara

Thaís Paranhos

 

Área de 90 hectares abrigará projeto habitacional voltado para baixa renda. No local, serão construídos quase cinco mil apartamentos (Carlos Silva/Esp. CB/D.A Press - 17/12/09)
Área de 90 hectares abrigará projeto habitacional voltado para baixa renda. No local, serão construídos quase cinco mil apartamentos

Um empreendimento habitacional do GDF pode acabar com pesquisas da Embrapa Cerrados. Anunciado no fim do mês passado, o Residencial Planaltina Parque, às margens da BR-020, terá 4.896 apartamentos em uma área de 90 hectares onde são desenvolvidos trabalhos para aumentar a qualidade da carne bovina comercializada no país e no exterior. Além disso, projetos de melhorias do bioma e de correção da acidez do solo para a agricultura podem ser interrompidos, perdidos ou até extintos. Diante desse quadro, os 430 empregados da unidade assinaram um manifesto contra a construção.

No documento, pesquisadores lamentam a mudança da destinação da área e consideram a instalação do setor habitacional o “início do fim da Embrapa Cerrados”. Segundo o manifesto, “dificilmente, os experimentos de campo resistirão à pressão causada por uma vizinhança estimada em 20 mil pessoas”. Há ainda a preocupação sobre o repasse de outra área da instituição para uma cooperativa de catadores de lixo e para a construção de quadras poliesportivas.

Diretamente afetado pela instalação do conjunto de moradias populares, o pesquisador da Embrapa Cláudio Ulhôa Magnabosco se mostra indignado ao constatar que 15 anos de estudos e mais de R$ 7 milhões em investimentos serão perdidos. “Desenvolvo um programa único no mundo de Seleção Genética de Bovinos Nelore Mocho no bioma cerrado, que tem como principal característica a qualidade da carne. Teremos uma perda inestimável de material genético”, afirma. No local onde será erguido o setor habitacional, ele conduz ainda o teste de desempenho de touros em integração com a lavoura e a pecuária.

Orientação
Magnabosco conta que a Embrapa ofereceu outra área para a construção do empreendimento, mas o GDF não aceitou a proposta. Em nota, a empresa orientou a direção a manter os trabalhos de pesquisa, como ocorre há mais de 30 anos. O entendimento é de que a ruptura no processo de coleta de informações acarretaria em perdas para a pesquisa nacional.

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Fonte: Correio Braziliense

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