Em entrevista ao Correio, a Presidente da Câmara Legislativa fala de sua trajetória política e vê elementos para investigar fraudes na construção superfaturada do Mané Garrincha
Ana Dubeux , Ana Maria Campos , Carlos Alexandre / , Helena Mader

A deputada distrital Celina Leão começou a trajetória como pupila da família Roriz, de quem herdou os votos para chegar ao Poder Legislativo. Hoje, está filiada ao PDT e é uma das principais aliadas dos senadores Cristovam Buarque e Reguffe. O histórico, à primeira vista contraditório, foi um dos trunfos para conquistar a Presidência da Câmara e a posição de uma das políticas mais influentes do DF. Aos 38 anos, ela é potencial candidata ao governo em 2018, com a meta de conquistar tanto o eleitorado de Roriz como os de rivais do ex-governador.
“Tenho orgulho de ter trabalhado com o grupo do Roriz. Orgulho-me do meu passado e do meu presente. Construí minha ida para o PDT, já que fui a deputada que mais fiscalizou o governo na legislatura passada”, justifica Celina Leão. “O Cristovam é supercorreto, ético e tem muitas ideias. E o Roriz também construiu muita coisa”, compara. Se por um lado a parlamentar é só elogios para os dois caciques políticos, o ex-governador Agnelo Queiroz é seu principal alvo. “Ele é um bandido, um ladrão, um cara que roubou”, acusa.
Única deputada a comandar uma assembleia legislativa no Brasil, Celina diz que já sofreu preconceito por ser mulher e também por ser bonita. Evangélica, é contra o aborto, mas não se opõe ao casamento gay. Na adolescência, a goiana rodou o país ao lado da irmã, Ludmila, para disputar campeonatos de laço. No pulso direito, traz a marca de uma grande cicatriz, causada pela corda. “Eu laçava boi, por isso sou brava desse jeito. Fiz um treino bom para chegar à Câmara”, brinca.
Na última semana de trabalho, Celina obteve uma vitória inédita: aprovou em primeiro turno uma emenda que permite a reeleição para a Mesa Diretora da Câmara. Nesta entrevista ao Correio, a deputada diz que a Operação Lava-Jato terá desdobramentos no DF. Ela acredita que a delação dos executivos da Andrade Gutierrez revelará irregularidades na construção do estádio Mané Garrincha — “Foi um absurdo o que aconteceu” — e justificará a abertura de uma CPI.
A senhora conseguiu aprovar, em primeiro turno, a emenda da reeleição para a Mesa Diretora da Câmara. Como conquistou isso?
Comecei a conversar com os parlamentares sobre a condição do Legislativo; acho que as coisas se movimentaram na Câmara, com o surgimento de uma oposição muito ligada à base do governo, alguma coisa muito estranha aconteceu na Casa. Essa coisa foi somando, somatizando também, e alguns colegas começaram a perguntar se eu toparia. A emenda não significa que sou candidata à reeleição da Câmara, não resolvi ainda. Pode ser até desgastante estar mais dois anos na presidência.
Para disputar cargo majoritário em 2018, a reeleição ajuda?
A presidência dá uma visibilidade grande. Você define a pauta da Câmara, a condução da Casa.
Seus colegas deixaram o segundo turno para o ano que vem, para barganhar com a senhora e com o governo em 2016. Isso procede?
Nem ia mexer com isso este ano, mas alguns colegas pediram para votarmos a emenda. Eles entendem que, dependendo de quem for o candidato do governador, eu seria a única a conseguir derrotar esse candidato que trouxesse uma subordinação ao Legislativo.
Só Agaciel e Joe Valle declararam interesse nos bastidores.
Joe perdeu toda chance quando saiu da Câmara para assumir uma secretaria. Ele não conseguiria construir nem os votos mais próximos. O candidato mais forte do governo é o Agaciel. Dependendo do momento que a gente estiver vivendo, aí pode ser que eu dispute. É uma questão de deixar legado, quero deixar trabalho consolidado.
O governador ficou totalmente distante, como diz?
Ele de fato não se envolveu. E o não envolvimento dele ajudou. O Chico Vigilante saiu ligando para alguns deputados, falando que tinha conversado com o governador. Houve muita mentira e fofoca, mas o governador disse que era mentira.
O governo atrapalha o Legislativo?
O governo não pode ditar o ritmo do Legislativo, isso está errado.
Falava-se que a Câmara era quase uma secretaria do GDF, um puxadinho do Buriti. Isso mudou?
Quando a gente começou a rejeitar alguns projetos do Executivo, mas sem deixar de ajudar quando era possível, a gente rompeu com isso, o que representa a maturidade do parlamento. As pessoas querem um parlamento responsável, sem revanchismo, sem raiva ou ódio. Os deputados da base se posicionaram sem ficar expostos.
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