Terracap, CEB e Caesb cortam investimentos

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Caesb, CEB e Terracap só aplicaram, no ano passado, R$ 272 milhões, de mais de R$ 1,3 bilhão autorizado

Francisco Dutra
francisco.dutra@jornaldebrasilia.com.br

Os investimentos de três grandes empresas públicas do Distrito Federal despencaram na comparação dos últimos dois anos. Segundo pesquisa no Sistema Integrado de Gestão Governamental (Siggo), Terracap, CEB Distribuição e Caesb investiram em 2014 um montante de R$ 889 milhões. No ano passado, as despesas autorizadas para gastos das estatais,  até o final de dezembro, acumulavam R$ 1,3 bilhão. No entanto, a execução em obras para a melhoria da qualidade de vida da população ficou próxima à R$ 272 milhões.

Entre as três estatais, a situação mais crítica é da Agência de Desenvolvimento do DF, mais conhecida como Terracap. Em 2014, a empresa planejava investir R$ 746 milhões, chegando efetivamente ao gasto de R$ 627 milhões em projetos. No ano seguinte, a previsão de investimento era de R$ 579 milhões. Na prática, o valor investido mal superou 10% do esperado, sendo de apenas R$ 67 milhões. Comparando os dois anos, foi uma queda de, aproximadamente, 90% nos gastos com investimentos.

Conforme os números do Siggo, o desempenho em investimentos da Companhia Energética de Brasília Distribuição desperta preocupação desde 2014, quando a empresa investiu R$ 95 milhões de um total de R$ 237 milhões previstos. No ano passado, o orçamento da CEB apontava a despesa autorizada para investimentos foi de R$ 137 milhões, dos quais somente R$ 55 milhões foram efetivados.

A redução do ritmo das obras para as redes de água e esgoto também é preocupante. A Caesb esperava gastar em investimentos R$ 638 milhões em 2014. Aplicou só R$ 167 milhões. A baixa execução dos recursos disponíveis para projetos se repetiu no ano seguinte. A estatal planejava aplicar R$ 631 milhões. Mas concretizou o investimento de R$ 150 milhões.

“O DF passa por sérias restrições do caixa. O governo, como um todo,  precisou represar as despesas e fazer sacrifícios. Agora, a médio e longo prazo a falta de investimentos causará grandes prejuízos para estas empresas e para o DF”, alertou o  professor de Finanças Públicas da Universidade de Brasília (UNB) Roberto Piscitelli.

Promessas para 2016

1 Para 2016, a Terracap planeja investir R$ 271 milhões. A lista de projetos inclui obras de infraestrutura no Setor Habitacional Jardim Botânico – 3ª Etapa;  no Setor Noroeste; no Setor Habitacional Taquari – Trecho II e; no Riacho Fundo – 4ª Etapa.

2 A Caesb ressalta que as etapas de preparação de projetos, licenças ambientais, licitações e fiscalização dos processos licitatórios são longas, principalmente, para empreendimentos de grande porte. “A licitação do projeto de captação, tratamento e distribuição de água do Lago Paranoá, por exemplo, já está bem adiantada”, escreveu a estatal. Segundo a empresa, a previsão orçamentária para este ano é de R$ 754 milhões.

3A CEB pretende continuar a vender o estoque existente até ter apenas o necessário. Até o final do ano pretende ampliar cinco subestações (Embaixadas Sul, Mangueiral,  Autarquias Norte, Padef e Vale do Amanhecer).

Proposta agora é usar  mais a criatividade

Diferentemente dos números apontados pelo Siggo, a CEB Distribuição S/A afirmou que investiu R$ 73 milhões no ano passado  e R$ 80 milhões em 2014. Segundo o diretor-presidente, Ari Joaquim da Silva, a estatal usou estratégias criativas para ampliar os investimentos. Todavia, Silva admite  que a empresa precisa aumentar o volume de investimentos.

“Quando assumimos tínhamos um estoque muito alto. Era um verdadeiro cemitério de transformadores e postes. Começamos a vendê-los e conseguimos  R$ 18,6 milhões a mais para investimentos”, explicou. Sobre 2014, ele declarou que o balanço contábil da empresa apontou um investimento de R$ 80 milhões. Silva afirmou que, entre 2014 e 2015, a empresa diminuiu a média de horas de energia de 15.9 para 14.3. Para o  diretor-presidente, a soma ideal de investimentos anuais seria de R$ 143 milhões. Para este ano, a meta é aplicar mais de R$ 100 milhões.

Por nota, a Terracap declarou:  “Os investimentos não dependem apenas da disponibilidade financeira e orçamentária. Existem fatores externos que também influenciam, como licenciamentos, licitações e questões judiciais, que podem atrasar a execução de alguma obra, o que faz com que não se alcance o valor de investimento total previsto”. A Caesb classificou a situação  como “normal”, prometendo que o volume de gastos com projetos   aumentará “naturalmente” neste ano, em função de grandes obras.

Investimentos em 2015

67 milhões de reais deverão agora ser investidos pela Terracap.

55 milhões de reais a se investir pela CEB. A estatal contesta este valor.

150 milhões de reais previstos pela Caesb para aplicar.

Fonte: Jornal de Brasília

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