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    Acolhe DF consolida atuação integrada em 2025 e já realizou mais de 450 abordagens a pessoas em situação de rua

    Reestruturado em julho do ano passado, programa coordenado pela Secretaria de Justiça e Cidadania se fortalece como política de governo e amplia encaminhamentos para tratamento, saúde, trabalho, moradia e reinserção social

    A reestruturação do programa Acolhe DF, oficializada pelo Decreto nº 47.423, em julho de 2025, marcou um novo momento na política do Distrito Federal voltada ao atendimento de pessoas em situação de rua. Desde então, a iniciativa se consolidou como programa de governo, reunindo diferentes pastas e promovendo uma atuação integrada, humanizada e contínua. De julho até dezembro de 2025, as equipes realizaram 453 abordagens, com foco no acolhimento, na escuta qualificada e na construção de alternativas reais para quem vive em situação de vulnerabilidade.

    Coordenado pela Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF), o Acolhe DF mobiliza equipes multiprofissionais das áreas de saúde, assistência social, cidadania, educação e trabalho. Do total de pessoas abordadas no período, 76% são homens, refletindo o perfil predominante da população atendida nas ações de busca ativa realizadas em diferentes regiões administrativas do DF.

    Tratamento voluntário como porta de entrada para a mudança

    O principal encaminhamento realizado pelo programa é para o tratamento contra a dependência química, sempre de forma voluntária. Entre 28 de julho e 19 de dezembro de 2025, 105 pessoas aceitaram o acolhimento em uma das seis comunidades terapêuticas parceiras do Acolhe DF, onde podem permanecer por até 12 meses, com acompanhamento contínuo e suporte psicossocial.

    Foi esse o caminho escolhido por Carlos Almeida (nome fictício), de 38 anos, que viveu por anos em situação de rua após romper vínculos familiares e perder o emprego. “Eu já tinha perdido a esperança. O que fez a diferença foi a forma como eles conversaram comigo, sem julgamento. Hoje estou em tratamento, pensando em voltar a estudar e reconstruir minha vida”, relata.

    Após o período nas comunidades terapêuticas, os acolhidos podem acessar cursos de capacitação profissional, como os ofertados pelo RenovaDF, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda (Sedet), ampliando as chances de autonomia financeira e reinserção social.

    Abordagens que geram novos caminhos

    Além do tratamento para dependência química, as abordagens do Acolhe DF resultaram em diversos outros encaminhamentos, respeitando a realidade e o desejo de cada pessoa atendida. No período analisado, 24 pessoas retornaram para seus estados de origem, enquanto 19 foram reintegradas ao convívio familiar.

    O acesso ao trabalho também tem sido um dos eixos do programa: 27 pessoas foram encaminhadas para oportunidades de emprego, rompendo ciclos de exclusão e fortalecendo a autonomia. Já 26 atendidos foram direcionados para tratamento de saúde, incluindo atendimentos especializados, e 37 receberam encaminhamento para a Companhia de Desenvolvimento Habitacional do DF (Codhab), ampliando o acesso à política habitacional.

    Para a secretária de Justiça e Cidadania, Marcela Passamani, o balanço evidencia o fortalecimento do programa como uma política pública estruturante. “O Acolhe DF é a prova de que a atuação integrada do governo faz diferença na vida das pessoas. Cada abordagem é uma oportunidade de reconstrução, feita com respeito, dignidade e cuidado”, destaca.

    Confiança e persistência como base do acolhimento

    Segundo o subsecretário de Enfrentamento às Drogas da Sejus, Diego Moreno, o vínculo construído pelas equipes é essencial para o sucesso das ações. “O acolhimento acontece no tempo da pessoa. Muitas vezes, é preciso voltar duas, três, quatro vezes até que ela se sinta segura para aceitar ajuda. Tudo é feito de forma voluntária, com paciência e escuta”, explica.

    As ações do Acolhe DF ocorrem semanalmente, em parceria com administrações regionais e outros órgãos do GDF, passando por áreas com maior concentração de pessoas em situação de rua e por equipamentos públicos, como o Hotel Social, no Setor de Armazenagem e Abastecimento Norte (SAAN).

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