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    ALCIDES E SEUS ALIADOS MIGRAM DO NOTICIÁRIO POLÍTICO PARA O POLICIAL

    GOIÁS
    Alcides e seus aliados migram do noticiário político para o policial

    Alexandre Bittencourt, Diário da Manhã
     
    A operação Sexto Mandamento, conduzida pela Polícia Federal, empurrou o legado do ex-governador Alcides Rodrigues (PP) para o que existe de menos nobre no noticiário do Estado: as páginas policiais. Alcides e dois de seus aliados mais próximos, os ex-secretários da Fazenda, Jorcelino Braga, e da Segurança Pública, Ernesto Roller, são investigados por tráfico de influência. Existe a suspeita de que os três articularam em favor da concessão de patentes a policiais militares que participavam de um grupo de extermínio em Goiás.

    A investigação da PF é o capítulo mais recente de um amplo período em que a passagem de Alcides pelo poder protagonizou uma agenda de discussões negativas. Alcides, Braga e Roller estiveram no centro de denúncias mais graves contra o governo apuradas pelo Ministério Público e polícia nos últimos meses. O inferno astral começou há exatamente um ano, quando a filha do ex-secretário da Fazenda, Anniela Ganzaroli, foi flagrada ao praticar o mesmo delito de tráfico de influência que o pai agora teria praticado junto a policiais corruptos. Anniela foi filmada dizendo-se filha do “dono dos porcos” (em referência à ascendência que ele exercia sobre a base de deputados estaduais aliados) e se oferecendo para ajudar a aprovar um projeto que concederia isenção tributária a uma entidade filantrópica.

    Este episódio sepultou as pretensões do ex-secretário de disputar o governo e minou as articulações que ele vinha a realizar na época. Braga, à época, era a figura mais ligada ao suposto déficit de R$ 100 milhões, farsa criada pela administração anterior para desconstruir a imagem do então senador Marconi Perillo (PSDB). O déficit, diga-se de passagem, sintetiza a aposta de Alcides em uma agenda negativa – ou política de terra arrasada – para vencer Marconi nas urnas. A insistência da dupla Alcides e Braga em reafirmar o déficit permite que se diga que este foi o governo da agenda negativa. Em seguida veio o esforço de final de mandato para concretizar uma operação financeira, junto ao governo federal, que salvaria a Celg. Mais uma vez, a dupla apostou no terrorismo para forçar a Assembleia Legislativa a ratificar a operação. Alcides e Braga criaram a expectativa de que o empréstimo seria liberado a qualquer momento, e isso nunca aconteceu. Frustraram a expectativa da população do Estado.

    O último ano do governo foi marcado pela realização desordenada de concursos públicos. Hoje, sabe-se que estes processos seletivos foram realizados de forma inconsequente e desconectados de qualquer planejamento. A administração Alcides não preparou um cronograma de convocação dos aprovados que correspondesse à realidade do Estado e provocou um verdadeiro inchaço na folha salarial. Este fato inviabilizou os primeiros dias do governo Marconi Perillo (PSDB) e obrigou o sucessor de Alcides a repensar a forma como os aprovados seriam convocados.

    Roller voltou ao noticiário no período eleitoral com duas denúncias gravíssimas: a primeira, investigada pela Polícia Federal, de que teria usado um veículo X-Terra da Secretaria de Segurança Pública para transportar material de campanha. Pior: o motorista do veículo e o passageiro eram funcionários da secretaria. Roller foi candidato a vice-governador na chapa de Vanderlan Cardoso (PR). A outra denúncia foi relativa ao superfaturamento na compra de três helicópteros para o Estado. A negociação começou com Roller e foi concretizada pela atual titular da Delegacia de Homicídios, Renata Cheim, que comandou a SSP entre maio e dezembro.

    O “gran finale” do governo Alcides veio poucos dias antes do final do seu mandato. O pepista assinou decreto que estipulou em dez o número de policiais militares que fariam a sua segurança depois que voltasse à planície. “De que ele tem medo?”, questionou o vereador Maurício Beraldo (PSDB), ao saber da determinação. Ao assumir o governo, Marconi limitou a cinco o número de seguranças de ex-governadores – contingente que, mesmo depois da redução, continua maior do que aquele que dispõe o ex-presidente Lula.

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