ALIADOS RECLAMAM DA DEMORA DO GOVERNADOR ELEITO EM DEFINIR SECRETARIADO

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DISTRITO FEDERAL
Aliados reclamam da demora do governador eleito em definir secretariado

Ricardo Taffner, Correio Braziliense
 
Os próximos dias serão cruciais para a formação do próximo governo. Depois de pouco mais de um mês de reflexões e conversas, o governador eleito do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), começa a bater o martelo sobre os nomes do secretariado e dos responsáveis pelas empresas públicas da capital do Brasil. A demora na definição tem causado insatisfação em alguns membros dos partidos aliados, mas com a proximidade da data limite para que o grupo seja anunciado, marcada para ocorrer até o dia 20, o cenário começa a se definir. Um dos personagens que orienta o eleito nesta reta final é o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Agnelo afirmou ontem ao Correio que pode divulgar o secretariado antes do prazo final. A data programada inicialmente era o dia 15 deste mês, mas a cúpula petista preferiu ganhar mais alguns dias. Apesar de as negociações estarem avançadas, com nomes praticamente certos, o petista não adianta quem vai ocupar nenhuma área. A precaução existe porque o time ainda não está totalmente escalado e, nos acertos finais, um secretário pode ser remanejado para acomodar outra pessoa. “Na verdade, precisaria estar com o governo montado só em 1º de janeiro, mas resolvemos adiantar a divulgação”, disse Agnelo.

De toda sorte, os primeiros indicados começam a aparecer. Em evento realizado ontem, na Câmara Legislativa, a deputada distrital eleita Arlete Sampaio (PT) foi praticamente anunciada pela ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéia Freire, como integrante do primeiro escalão. Arlete é considerada aposta certa para chefiar a Secretaria de Desenvolvimento Especial e de Transferência de Renda (Sedest). “Tudo indica que serei integrante do governo”, disse Arlete, ao lado da própria suplente, Rejane Pitanga (PT).

Anunciada
A distrital eleita também confirmou a criação de uma pasta para dar atenção especial às mulheres. Segundo ela, o nome da indicada estaria no plenário naquele momento, repleto de representantes de órgãos e grupos voltados para o público feminino, como a petista Maria Laura, a delegada Sandra Gomes e a presidente do Fórum das Mulheres no DF, Leila Rebouças. Quem também é considerado certo no Executivo é o médico Rafael Barbosa. Amigo de Agnelo, ele deverá assumir a Secretaria de Saúde em abril, logo após o petista deixar de acumular a chefia da pasta.

Da Câmara dos Deputados, pelo menos um parlamentar petista se afastará do mandato para assumir cargo no GDF. Quem encabeça a lista de preferência é Paulo Tadeu (PT). Líder do governo de transição na Câmara Legislativa, ele tem sido um dos homens fortes de Agnelo. Tadeu apostou desde cedo na candidatura do ex-ministro do Esporte ao Buriti e foi um dos principais interlocutores entre os distritais, ainda durante a campanha. Agora, o petista é apontado para a Secretaria de Governo, um dos cargos da cota pessoal do governador eleito.

A demora na formação do governo tem irritado alguns partidos. Um dos reflexos da impaciência desponta no Legislativo. Alguns distritais da coligação que ajudou a eleger Agnelo ameaçam tomar outro rumo caso as negociações não avancem. Apesar de petistas garantirem espaço para todos no Executivo, a expectativa é que as legendas menores e mais próximas do ex-governador Roriz fiquem insatisfeitas com a costura política.

Irritação
A divisão de cargos pode acabar interferindo na composição da Mesa na Câmara. O distrital Cabo Patrício (PT) foi lançado pelo próprio partido para ocupar a presidência, mas ele precisa de muito mais votos do que os dos cinco garantidos pela legenda. Parlamentares considerados aliados ameaçam compor outros blocos que podem, inclusive, atrapalhar os planos do PT, caso não fiquem satisfeitos. Na sessão de ontem, Paulo Tadeu se irritou com manobras para tumultuar o andamento das votações.

Em discurso, o líder da transição disse que o governo Agnelo não vai ceder às pressões dos distritais. O petista afirmou que a partilha de cargos não passará por barganhas entre os deputados, o que considerou como um erro do governo anterior.

Enquanto 12 siglas brigam por espaço na gestão petista, o Diretório do PT tem pretensões maiores. Os dirigentes da legenda apresentaram nesta semana a Agnelo uma lista com indicação de nomes para praticamente todos os cargos. Segundo eles, tratam-se apenas de sugestões. O governador eleito quer montar um secretariado mais técnico do que político, com pessoas que conheçam bem as áreas que comandarão.

Reunião no BID
O governador eleito fez uma visita de cortesia, na tarde de ontem, aos representantes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). “Manifestei nossas intenções de retomar as parcerias antigas e de fazer novas”, disse Agnelo. A equipe técnica do próximo governo se reunirá com o BID logo na segunda semana de janeiro para discutir investimentos para diversas áreas, como para a Copa de 2014.

Conselhos de companheiro
Agnelo Queiroz afirma que não existe atraso na escolha do secretariado. Apesar da negativa do governador eleito, um dos motivos para a demora está na definição dos ministros da próxima presidente da República, Dilma Rousseff (PT). A expectativa é que alguns membros dos segundos e terceiros escalões federais sejam liberados com a nova configuração da Esplanada dos Ministérios. Além disso, as composições nacionais podem ser repetidas localmente para facilitar o diálogo entre as pastas, ou seja, uma área pode ficar sob a responsabilidade de um mesmo partido tanto localmente quanto no nível federal.

Para ajudar a pensar nas soluções para o próximo governo, Agnelo tem contado com dicas importantes do atual presidente, Luís Inácio Lula da Silva. “Não se preocupe em escolher amigos ou gente do seu partido. Preocupe-se em escolher as melhores pessoas que possam ter em Brasília, porque a arte de governar, Agnelo, não permite erros”, disse Lula ao colega na noite de quarta-feira, no Palácio do Planalto, em evento promovido pela Federação das Indústrias de Brasília (Fibra). Segundo o presidente, o mandato de quatro anos passa rápido e, por isso, é preciso ter uma equipe “muito boa”. “Não pode ser nem um populismo de direita em Brasília e nem aquele de fazer com que a cidade vire um paraíso de companheiros vindos de outros estados para viver em condições desumanas.”

Agnelo destacou que as recomendações de Lula são importantes e os dois marcaram uma reunião ainda nesta semana para dar continuidade às conversas. “Ele ficou muito empolgado e quer participar desse processo no que for possível”, disse o governador eleito. Lula recebeu o troféu Abraço da indústria e fez questão de pedir aos empresários presentes que ajudem Agnelo. Outra dica do presidente foi a de procurar os ministros já definidos a fim de assegurar recursos federais para a capital. “Tínhamos previsão de muitos investimentos e contratos que estão há um ano paralisados. Você nem deveria esperar para tomar posse e marcar uma reunião com eles.” 

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