Delatora sobre vagas em Medicina: “Paga 80 mil. Fies, é 100 mil”

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As ofertas de vagas no Fies ocorriam até mesmo no pátio da universidade: “Eles comentam na fila da cantina”

ABRAHAM POPOCATL/UNSPLASH

Uma ex-diretora da Universidade Brasil, de Fernandópolis (SP), disse à Polícia Federal que alunos pagavam até R$ 80 mil por uma vaga na faculdade de Medicina, e R$ 100 mil quando a vaga fosse por meio do Financiamento Estudantil (Fies). A revelação foi feita por Juliana da Costa e Silva em delação na Operação Vagatomia. A Universidade Brasil entrou na mira da PF em setembro por venda de vagas no curso, irregularidades no exame de revalidação de diplomas e fraudes no Fies de até R$ 500 milhões.

José Fernando Pinto da Costa, dono da universidade, e seu filho chegaram a ser presos. Juliana era responsável pelo projeto pedagógico dos cursos da área da saúde. “Ele (o aluno) era ludibriado no seguinte sentido: ‘Para você passar, precisa pagar 80 mil (reais). Se você quiser com Fies, é 100 mil (reais)’”.

De acordo com a colaboradora, os funcionários Adeli de Oliveira, o “Picadinho”, e Rosival Mateus Molina “encabeçavam” a captação de alunos. “O Rosival era o testa de ferro do doutor Fernando e o Adeli, o jagunço”, resumiu.

Eles seriam os responsáveis por captar estudantes para realizarem transferência para o curso. Esta seria uma forma de potencializar os lucros da universidade a partir do aval do Ministério da Educação para um aumento na oferta de vagas.

Como a entrada do número maior de alunos só poderia ocorrer no primeiro ano, Fernando Pinto da Costa determinou, segundo o relato da ex-diretora, que se buscassem alunos para fazer a transferência para os semestres mais avançados, explica Juliana.

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