Entrevista – Renato Santana: vice não deve atrapalhar

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Companheiro de chapa de Rodrigo, Renato Santana aposta no corpo a corpo para conseguir votos no DF
Daniel Cardozo

Pouco conhecido, Renato Santana (PSD), vice da chapa de Rodrigo Rollemberg (PSB), acredita que, pior do que não agregar votos, é contribuir para uma queda nas pesquisas. Ser muito conhecido, segundo ele, pode até ser ruim para as intenções de uma coligação. “Sinceramente, ser conhecido na política do Brasil hoje pode até trazer o inverso do que se espera. Não é ser conhecido, é ser da Ceilândia, como é o meu caso. Mas a pergunta que tem que ser feita é: Sou qualificado e tenho condições de tocar um projeto de gestão?”, questiona. Para ele “quem vai avaliar isso é o eleitor, porque é ele quem diz que hoje todo político é corrupto e ladrão”. Com uma rotina bastante movimentada, o candidato tem se dividido com o cabeça da chapa para conseguir passar por todo o Distrito Federal e apresentar as propostas de governo.

Como está sendo sua atuação para agregar votos?

Estar compondo uma chapa majoritária, em que o candidato ao governo é o Rodrigo Rollemberg e o candidato ao Senado é o Reguffe, me traz uma sensação de tranquilidade e, ao mesmo tempo, uma sensação de responsabilidade. Coube ao PSD sugerir nomes para compor essa chapa. A coligação entendeu que a renovação passa pela inclusão, de fato, das cidades do DF em uma discussão majoritária. “Mas o Renato não é conhecido para estar compondo uma chapa majoritária”. Sinceramente, ser conhecido na política do Brasil hoje pode até trazer o inverso do que se espera, mas a pergunta que tem que ser feita é: Sou qualificado e tenho condições de tocar um projeto de gestão? E quem vai avaliar isso é o eleitor, porque é quem diz hoje que todo político é corrupto e ladrão. Eu nunca fui candidato a absolutamente nada, a não ser em entidades de classe e associações. Mas como você fez para passar de candidato a nada e estar compondo uma chapa? Será que tem regra para isso? Uma coisa é certa, eu sempre atuei no Executivo por mais de 20 anos como servidor de carreira e o ponto alto dessa responsabilidade foi administrar Ceilândia, a maior cidade do Distrito Federal. Eu quero agregar ao sentimento de que nós podemos cuidar de pessoas. E se esse vice não agrega votos inicialmente porque é um desconhecido, eu quero dizer uma coisa. Seria muito ruim se eu agregasse algo negativo. Ser desconhecido não é negativo. Ser desconhecido está me dando uma liberdade tremenda de estar nas ruas de manhã, de tarde e à noite, conversando com o eleitor. Eu tenho feito isso de segunda a segunda e tenho tido esse conforto de levar ao eleitor o que foi construído nas propostas.

Você nem sempre está ao lado do Rollemberg durante a campanha. Como tem sido sua atuação?

Ainda não temos os programas de televisão. Enquanto não há uma divulgação que tenha uma abrangência maior, como é o caso da televisão, fazemos algumas agendas conjuntas e nos dividimos entre as regiões. Esse tem que ser o formato de trabalho de quem está pensando nas pessoas. Queremos levar de mão em mão o nosso programa de governo e pedir para o eleitor avaliar.

É possivel que as intenções de voto de José Roberto Arruda se transfiram para a sua chapa?

O eleitor tem elementos suficientes para entender quais são e serão os agentes políticos que eles querem ter a partir de 1º de janeiro. O dono do voto é o eleitor. Pelas minhas andanças, tenho percebido que o eleitor tem apreciado cada vez mais esse instrumento. Se há um instrumento de mudança é o voto. Não acredito nessa história de transferência. O eleitor é quem transfere, é o grande transferidor de voto. O grande incentivo que temos que dar é que o eleitor analise nossa vida, nosso programa de governo. Isso faz parte da boa política e é essa chama que nós temos que acender.

O PSD, seu partido, defende a incorporação de cidades da Região Metropolitana ao Distrito Federal. Com a aliança com outros partidos, isso será possível ser colocado em prática?

O que existe é uma proposta de emenda à Constituição, apresentada pelo presidente do PSD, Rogério Rosso. Na criação de Brasília, existia a previsão de um cinturão verde, que hoje se tornou Santo Antônio do Descoberto, Águas Lindas, Novo Gama, Valparaíso e Planaltina de Goiás. Essas cidades têm desde sempre um laço com o DF. Essa relação não tem que ser vista apenas desse jeito, de quantas pessoas que moram lá e votam aqui. Águas Lindas está a 20 km do Palácio do Buriti e está a cento e poucos quilômetros do Palácio das Esmeraldas, sede do governo de Goiás. Essa é a uma proposta que precisa ser discutida. Não é tirar recurso do DF para levar para Goiás, é fazer aquilo que já fazemos. A ideia maior é conter esse crescimento desordenado que há em volta de Brasília. Como é que você vai conter isso se não houver uma legislação mais rigorosa? Brasília não pode aplicar a Legislação lá. Se a conta na construção de hospitais não levar em conta os pacientes da Região Metropolitana, já furou. Como você vai impedir essas pessoas de usar os hospitais daqui? Em várias unidades de saúde o atendimento é maior para pessoas de fora do DF. Aí prometem que vão resolver o problema da saúde em seis meses e acontece o que aconteceu. A incorporação desses municípios é um processo de discussão com a população, porque quanto melhor tiverem essas cidades, melhor vai estar o DF. Essa é uma proposta que está nas diretrizes do PSD e está aí para mexer na ferida. Brasília está ficando ilhada porque fechou os olhos para toda a gestão nessa região e vai ficando à mercê dos problemas dessas cidades. Muitas pessoas não querem debater temas aparentemente polêmicos porque estão meramente preocupados em ampliar ou discutir votos. A preocupação do PSD é ampliar ou manter a qualidade de vida. Melhorar essa qualidade é pensar a Região Metropolitana.

Fonte:  Jornal de Brasília

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