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    Ex-governador recorre à Justiça para censurar adolescente e reacende debate sobre liberdade de expressão

    Na manhã de  6 de fevereiro de 2025, a Polícia Federal (PF) cumpriu mandado de busca e apreensão na casa do ex-governador de Goiás Marconi Perillo.  A Operação Panaceia aconteceu em conjunto com a Controladoria Geral da União (CGU) que apura o desvio de dinheiro público da área da saúde durante os anos de 2012 a 2018.

    Ainda em 2018, Perillo foi alvo da Operação Cash Delivery, um desdobramento da Lava-Jato que denunciou o ex-governador de Goiás por suposto recebimento de R$ 17 milhões em propinas da Odebrecht. A operação ocorreu dez dias antes das eleições de 2018, quando Perillo amargou a quinta colocação na disputa ao Senado e viu seu candidato ao governo, José Eliton, ser derrotado no primeiro turno pelo desafeto Ronaldo Caiado.

    Três dias depois da votação, Perillo foi preso pela Polícia Federal (PF) enquanto prestava depoimento no âmbito daquela operação. O ex-governador foi solto no dia seguinte.

    PERILLO X MARIANA

    Mas o ex-governador goiano não ficou surpreso nem preocupado com a operação da PF, mas sim, com um vídeo postado nas redes sociais por uma adolescente.

    Marconi Perillo, ex-governador de Goiás, decidiu enfrentar uma dura crítica jornalística por um caminho pouco usual para quem já comandou um estado: simplesmente pediu à Justiça a retirada do ar da uma publicação feita pela adolescente. A postagem, assinada por Mariana Eustáquio, apenas repercutia uma reportagem de seu pai, o jornalista Oswaldo Eustáquio, com críticas diretas à atuação do ex-governador, que foi até alvo da Lava Jato num passado recente.

    Em vez de responder politicamente ou recorrer aos instrumentos clássicos do contraditório, como o direito de resposta ou uma eventual ação por danos morais, Perillo optou por solicitar a censura do conteúdo. A liminar foi concedida no processo nº 5015319-30.2026.8.09.0051, em tramitação no Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), decisão que, para juristas ouvidos, colide frontalmente com o artigo 5º da Constituição Federal, que garante a liberdade de expressão e o direito à crítica, vedado apenas o anonimato.

    A iniciativa causou estranheza no meio jurídico e político. Afinal, quando um ex-governador mobiliza o Judiciário para silenciar uma adolescente, a cena lembra menos a firmeza de um líder experiente e mais a reação de quem perdeu o debate e resolveu “chamar o juiz”. Nos bastidores, a avaliação é que o episódio pode custar caro à imagem de Perillo, que tenta se reposicionar no cenário político e ensaia uma candidatura ao governo de Goiás.

    O caso ganha contornos ainda mais sensíveis porque Mariana Eustáquio já havia sido alvo de uma operação de busca e apreensão em agosto de 2024, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, em razão de publicações nas redes sociais. À época, parlamentares classificaram a ação como uma perseguição desproporcional. A Polícia Federal chegou a realizar revista íntima na adolescente, episódio que provocou forte reação no Congresso.

    O conjunto dos fatos reforça uma percepção incômoda: no Brasil atual, expressar opinião, mesmo quando se trata de reproduzir conteúdo jornalístico, pode se tornar um risco, inclusive para menores de idade.

    A defesa de Mariana, conduzida pelo experiente advogado Fábio Pagnozzi, sustenta que a decisão judicial representa uma agressão direta à liberdade de expressão assegurada pela Constituição. Para ele, o caso ultrapassa o debate individual e levanta uma questão institucional: até que ponto o poder público pode ser acionado para proteger suscetibilidades políticas em detrimento de direitos fundamentais?

    Enquanto isso, a censura imposta à adolescente segue como símbolo de um paradoxo nacional: políticos adultos, com longa trajetória pública, demonstrando notável dificuldade em conviver com críticas,  sobretudo quando elas vêm de quem ainda nem pode votar.

    Com histórico de denúncias de corrupção, Marconi Perillo demonstra que nada aprendeu com seus erros, além de revelar total despreparo e falta de sintonia com a juventude brasileira que anseia por liberdade de expressão e respeito à Constituição.

    Perillo amargará nova derrota eleitoral. O povo goiano acordou!

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