Jovem músico da Coinj ganha bolsa para estudar nos EUA

0
10
Com pouco tempo, ele se encantou com a viola de orquestra e se desenvolveu na técnica

Apesar de ter começado no fim da adolescência, estudante evoluiu rapidamente

Um brasileiro que amava rock, mas se apaixonou pela viola clássica e foi parar em uma prestigiosa universidade norte-americana. Parece enredo de filme, mas é a realidade de João Pedro Maciel Motta Rocha, ex-aluno e atualmente monitor da Orquestra Jovem da Coinj, a Coordenadoria da Infância e da Juventude do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

Aos 25 anos, depois de ter ouvido que tinha poucas chances porque começou aos 19, João Pedro foi selecionado para receber uma bolsa de estudos da Western Illinois University, em Macomb (Illinois). Ele precisou demonstrar proficiência em inglês, enviou vídeos para serem avaliados por uma banca, redigiu carta de motivação e obteve cartas de recomendação de professores. O perfil dele e o bom desempenho agradaram. Agora, ele busca recursos para viabilizar sua ida para os Estados Unidos.

Segundo o músico, a experiência de palco adquirida no TJMG foi crucial, porque possibilitou que, em pequenos ou grandes conjuntos, ele enfrentasse o nervosismo e a tensão e tocasse em gravações e ao vivo, múltiplas vezes, para audiências consideráveis, que incluíam autoridades importantes, em diversos locais.

Durante a pandemia, as aulas foram mantidas, mas com precauções

“Isso é algo que só se ganha sob pressão. Não basta praticar longas horas por dia”, diz, com o conhecimento de quem acorda às 6h justamente para isso e mantém rotina de condicionamento de atleta.

Universitário no bacharelado da Escola de Música da UFMG desde 2016 e monitor da orquestra desde 2017, ele argumenta que sua vocação foi “salva”, em 2014, pela oportunidade de integrar o projeto de formação da Coinj. De acordo com ele, a exposição forja o músico, e o fato de se apresentar bastante e em diferentes formações exercita a habilidade e reduz os erros a cada performance.

Estímulo

De acordo com a superintendente da Coordenadoria, desembargadora Valéria Rodrigues Queiroz, essa conquista se estende a todo o grupo – coordenação, equipe técnica, professores e os beneficiados pela iniciativa. Por isso, já há uma preocupação em ampliar o atendimento, levando pequenos núcleos da escola de música a comunidades.

“O objetivo da Orquestra Jovem e do Coral Infantojuvenil é proporcionar a todas as crianças e aos adolescentes que se veem privados de seus direitos o acesso à educação, à cultura, ao lazer e à arte. Além disso, por meio da música, trabalhamos o desenvolvimento psicopedagógico desse público, que hoje gira em torno de 260 alunos”, afirma.

Para a magistrada, a projeção de cada integrante do projeto é um testemunho de superação, um estímulo e um incentivo aos demais, porque as desigualdades e dificuldades enfrentadas por esses meninos e meninas, a maioria em condição de vulnerabilidade social, são muito grandes.

A desembargadora Valéria Queiroz, superintendente da Coinj, destacou o empenho dos jovens músicos para superar desafios

“A Cantata de Natal, por exemplo, numa época de pandemia, mostra a força de vontade e o desejo deles de dar visibilidade ao fruto desse empenho. João venceu vários obstáculos para chegar onde chegou. Ele é um exemplo para os outros alunos, e uma prova da qualidade e seriedade do ensino que o Tribunal oferece”, destaca.

Trajetória

João conta que, na família, é praticamente o primeiro a entrar no universo da música, excetuado o tio com quem começou a aprender violão. Um professor do Centro de Formação Artística do Palácio das Artes, onde o jovem iniciou os estudos, viu a dedicação e o potencial do rapaz e sugeriu a viola.

Com seis meses de experiência, a paixão exclusiva desde os 9 anos de idade ficou para trás. A tradição erudita desbancou o apelo da MPB e entraram no vocabulário complicados nomes de intérpretes estrangeiros – Antoine Tamestit, Amihai Grosz – e nacionais, como Gabriel Marinho, Rafael Altino e Jairo Chaves.

A humildade é um traço da personalidade de João. É o que salienta o aluno Ryan Braz, que ressalta o quanto o professor é dedicado e generoso. “É bom ver isso, traz uma alegria, depois de acompanhar o tanto que ele estudou. A gente se sente inspirado com essa conquista, abre-se uma janela, vemos que coisas grandiosas são possíveis.”

Aluno de João, Ryan Braz elogia o professor, e defende que o sucesso dele é uma motivação

Esta também é a opinião da articuladora dos projetos sociais da Coinj, Karina Zanandrez. “Desde o início, o João Pedro valorizou sua permanência e mostrou-se extremamente agradecido. Sempre comprometido, presente a todos os ensaios e apresentações, alcançou ótimas notas”, recorda.

Por ter começado mais velho, ele nem sequer sonhava em estudar fora ou fazer carreira como solista. “Eu não achava que era para mim, apenas para pessoas bem mais jovens e supertalentosas”, relata o violista. Mas, ao mesmo tempo, é enfático quando identifica o centro de sua vida. “Desde que eu trabalhe com música, estarei feliz”, conclui.

Bolsa

Assessoria de Comunicação Institucional – Ascom
Tribunal de Justiça de Minas Gerais – TJMG

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui