Por Antonio Cabrera
Essa manchete de sábado, “Com o país em pleno emprego”, é enganosa. Explico. Para esse jornalismo militante, basta reparar no seguinte.
Como pode o país estar em pleno emprego se temos hoje 94 milhões de brasileiros cadastrados no Cadastro Único (CadÚnico) para Programas Sociais do Governo Federal?
Como pode o país estar em pleno emprego se em outubro de 2025, a criação de empregos teve uma queda de 35% frente a outubro de 2024. Em agosto, a redução foi de 38,4% na comparação anual. Será que a jornalista imagina que um brasileiro inscrito em programa social é “pleno emprego?”
Como pode o país estar em pleno emprego se temos um cenário extremamente preocupante de endividamento e inadimplência familiar no Brasil (CNC), com dados recentes (2024/2025) mostrando que cerca de 8 em cada 10 famílias possuem dívidas (próximo de 80%), e aproximadamente 3 em cada 10 estão inadimplentes, ou seja, com contas em atraso, atingindo recordes históricos?
Como pode o país estar em pleno emprego se temos 78,8 milhões de brasileiros negativados no Serasa? Como pode o país estar em pleno emprego se o Brasil atingiu o recorde de 8,4 milhões de empresas inadimplentes, segundo também o Serasa?
Como pode o país estar em pleno emprego se o país atingiu um recorde (em volume de pedidos) em 2024, com 7,44 milhões de solicitações de seguro-desemprego, o maior volume em oito anos?
Como pode o país estar em pleno emprego se a Selic está em 15% e o juros do cartão de crédito ultrapassa 440% ao ano?
Ora, por que a jornalista não procurou entender a metodologia que é utilizada pelo IBGE, que considera desempregada apenas a pessoa que não possui trabalho remunerado e procurou ativamente por emprego na semana de referência da pesquisa. Ou seja, exemplificando, um brasileiro inscrito no Bolsa Família ou que tenha desistido de procurar emprego não é considerado um desempregado.
É preciso deixar isso claro, ou continuaremos vivendo nesse mundo da fantasia de que uma estatística falsa tem o poder de diminuir o desemprego como acima.
Para esse jornalismo preguiçoso, aqui vai a manchete correta: “Com o país em pleno assistencialismo…”





