Defesa afirma que Helton Yomura não cometeu ilícito. Ministro do STF determina prisão de três pessoas

BRASÍLIA – O ministro do Trabalho afastado do cargo por ordem do Supremo Tribunal Federal ( STF) Helton Yomura ficou em silêncio na Polícia Federal (PF) e se recusou a informar a senha do celular funcional do ministério utilizado por ele alegando que o aparelho possui “informações e arquivos privados” e que também era utilizado para seus fins particulares. O ministro afastado compareceu à Superintendência da PF nesta manhã perante o delegado Leo Garrido de Salles, responsável pelas investigações da Operação Registro Espúrio.
Seguindo a orientação de sua defesa, formada pelos criminalistas Cesar Caputo, do escritório Nelson Willians Advogados Associados, e André Luiz Hespanhol Tavares, o ministro afastado afirmou que só iria se manifestar após ter acesso ao inteiro teor da investigação. Além de determinar o afastamento de Yomura, o ministro Luioz Edson Fachin, do STF, também mandou prender o chefe do gabinete do ministro afastado, Julio de Souza Bernardes, o chefe de gabinete do deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP) Jonas Antunes Lima e o superintendente do Ministério no Rio de Janeiro, Adriano José Lima Bernardo. A PF também fez buscas no gabinete de Marquezelli na Câmara dos Deputados nesta manhã.
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Além dos mandados expedidos pelo STF, após determinação do ministro Edson Fachin, também serão impostas medidas cautelares para a proibição dos investigados de frequentar o Ministério do Trabalho e de manter contato com os demais servidores da pasta, além da suspensão do exercício de suas funções.
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As investigações da PF iniciaram a partir de ações controladas da Polícia Federal junto com um empresário que relatou aos investigadores a existência de um suposto esquema para favorecer o registro sindical em troca de propinas por meio de lobistas que atuavam perante o Ministério do Trabalho. Com o avanço das investigações, a PF apontou que a pasta era uma área de influência dividida entre o PTB e o Solidariedade, por meio do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), do deputado Wilson Filho (PTB-PB) do ex-deputado Roberto Jefferson e sua filha Cristiane Brasil (PTB); e de Paulinho da Força (SD), que teriam influência nos processos de registro sindical e atuavam para favorecer ou prejudicar sindicatos em troca de dinheiro ou de apoio político.
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Nas etapas anteriores a PF fez buscas nos gabinetes dos deputados federais Paulinho da Força (SDSP), Jovair Arantes (PTB-GO) e Wilson Filho (PTB-PB) foram alvo de busca e apreensão e também nas residências de Cristiane Brasil, que ficou proibida de frequentar o Ministério ou manter contato com os demais investigados.
Em nota, a defesa do ministro nega que que ele comentido “ato ilícito” e diz que irá tomar ” todas as medidas jurídicas”.
Leia a íntegra da nota:
“O ministro do Trabalho Helton Yomura adotou rigorosas providências institucionais para a garantia do interesse público, podendo se destacar: exoneração imediata de todos os servidores sob investigação, abertura de sindicância e processos administrativos para averiguação dos fatos e suspensão de todos os atos que pudessem provocar repercussões no âmbito da investigação.
Quanto à suspensão de suas funções no Ministério do Trabalho, todas as medidas jurídicas serão tomadas para possibilitar à turma do STF se manifestar sobre tal importante tema. Neste sentido, foi em razão do entendimento do próprio ministro Edson Fachin que foram encaminhados para o plenário do Supremo casos de grande repercussão.
Tendo a certeza de não ter cometido nenhum ato ilícito e que suas ações correspondem a uma política de valorização dos trabalhadores e das instituições, o ministro Helton Yomura, mesmo não sabendo de que atos está sendo acusado, nega veementemente qualquer imputação de crime ou irregularidade.”
Fonte: O Globo



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