Quem aconselha os conselheiros jurídicos de Jair Bolsonaro

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Foto: Adriano Machado-Revista Crusoé

O presidente poderia simplesmente demiti-los, mas prefere enaltecê-los, considerando ambos para as duas vagas que se abrirão no Supremo até 2022, em detrimento de Moro.

Por Claudio Dantas-O Antagonista

No episódio da sanção do ‘juiz de garantias”, Jair Bolsonaro deixou claro que prefere os conselhos de Jorge Oliveira aos de Sergio Moro e outros nomes ligados à Lava Jato.

No caso do Fundão Eleitoral, o presidente da República tenta ludibriar a opinião pública com uma teoria conspiratória de impeachment. Certamente, o caminho mais fácil para implodir de vez a imagem de candidato anti-establishment.

Além de Jorginho, ministro da Secretaria-Geral, Bolsonaro é aconselhado por André Mendonça, o AGU. Cada dia fica mais claro que ambos atuam como marionetes de interesses de gente bem mais poderosa.

O presidente poderia simplesmente demiti-los, mas prefere enaltecê-los, considerando ambos para as duas vagas que se abrirão no Supremo até 2022, em detrimento de Moro.

Mendonça, como O Antagonista revelou em abril de 2019, assessorou Dias Toffoli na AGU e, em outubro passado, lançou um livro em homenagem aos dez anos do ex-advogado do PT no Supremo.

O AGU de Bolsonaro não se constrange em chamar Toffoli de “grande líder” e faz defesa intransigente do inquérito inconstitucional que censurou Crusoé.

No caso de Jorginho, a aproximação com Toffoli foi feita por Gustavo do Vale Rocha, que foi subsecretário de Assuntos Jurídicos de Michel Temer, além de advogado de Eduardo Cunha e da Delta Engenharia.

O primeiro encontro do major reformado da PM com o presidente do STF se deu, ainda na transição, em 26 de novembro. O encontro contou com a presença de André Mendonça, embora seu nome não tenha constado da agenda.

Além de abrir-lhe as portas do Supremo, Gustavo Rocha convenceu Jorginho a manter toda sua equipe jurídica e passou a aconselhá-lo sobre variados temas. Os dois se falam frequentemente e até almoçam juntos.

Nos bastidores, atribui-se a Rocha a articulação que levou Jorginho a assumir a Secretaria Geral, no lugar do general Floriano Peixoto, levando consigo todo o Jurídico da Presidência, historicamente ligado à Casa Civil.

O próprio Rocha, na gestão Temer, tentou implementar essa mudança, mas foi barrado pela então AGU, Grace Mendonça. Além de subchefe de Assuntos Jurídicos, o advogado assumiu a pasta de Direitos Humanos e uma cadeira no CNMP.

Atualmente, o ex-jurídico de Temer é secretário de Justiça do Distrito Federal e braço-direito do governador Ibaneis (MDB), mas mantém uma cadeira na Comissão de Ética Pública da Presidência da República.

Tem em sua esfera de influência o secretário de Segurança, delegado Anderson Torres, cujo nome foi apresentado em setembro a Bolsonaro para substituir o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo.

A articulação deu pistas sobre quem estaria fritando Valeixo, com o objetivo final de forçar a saída do ministro Sergio Moro, o mesmo a defender no governo teses opostas às de Jorginho e André Mendonça.

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