Saúde Pública do Distrito Federal: Caos ou Revolução?

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RAFAEL DE AGUIAR BARBOSA
Secretário de Estado de Saúde do Distrito Federal

Cento e oitenta dias. Esse é o tempo em que a rede pública de saúde do DF respira aliviada no que diz respeito a leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e compra de medicamentos. Realidade bem diferente do passado, em que esses eram alguns dos gargalos enfrentados pelos gestores da área. Ao longo dos últimos dois anos, dezenas de outras ações foram realizadas no sentido de oferecer saúde de qualidade para a população do Distrito Federal. Não foi fácil, afinal era preciso reerguer o que há muito não recebia a mínima atenção. Mas os resultados já são visíveis. A começar pelo principal e cruel equivoco gerado pelos governos anteriores: concentrar o acesso da população aos serviços de saúde via as superlotadas emergências dos hospitais.

Construímos as portas de entradas recomendadas em prosa e verso por todos os organismos ligados a saúde pública. Saímos de uma cobertura do programa de saúde da família de 12% para 30%. Abrimos cinco Clínicas de Família. Entre os centros de saúde e os hospitais havia um terrível vazio assistencial. Corrigimos esse problema colocando para funcionar as primeiras quatro UPAS, que retiram dos prontos-socorros cerca de dois mil pacientes por dia.

Muitas vezes a diferença entre a vida e a morte pode ser o acesso do paciente a leitos de terapia intensiva. Disponibilizamos 231 novos leitos públicos de terapia intensiva – o dobro do que foi criado em 50 anos.

As filas de pacientes para realizar procedimentos eletivos, tais como cirurgias de catarata, laqueadura, vias biliares, varizes e outras chegavam a mais de cinco anos. Em sistema de mutirão, realizamos em quatro meses cerca de cinco mil cirurgias, zerando a fila para cirurgia de catarata, algo impensável a bem pouco tempo.

O acesso da população aos serviços públicos de saúde mental era o pior do país. O flagelo da dependência química ao crack e outras drogas era ignorado. Hoje, abrimos leitos hospitalares para os pacientes na fase aguda e estamos colocando em funcionamento mais 5 Centros de Atenção Psicossocial.

As dificuldades de acesso ao tratamento oncológico é, especialmente, dramático entre as crianças. Inaugurado em 2011, funciona a pleno vapor o Hospital da Criança José de Alencar, considerado por todos que conhecem o atendimento, como de altíssimo padrão.

O programa de transplantes do DF estava interrompido desde 2010. A retomada foi vigorosa e hoje realizamos transplantes de alta complexidade, como fígado e pulmão, e não há fila no DF para transplantes de coração. É o melhor programa de transplante do Brasil.

A qualificação da assistência nos hospitais é visível após a implantação do atendimento por gravidade e não por ordem de chegada. Reduzimos as macas nos corredores das emergências em 39% e também, reduzimos o tempo de permanência dos pacientes nos hospitais. Demonstrando maior efetividade na gestão. O mesmo ocorreu em relação a dengue: reduzimos em quase 55% o número de casos registrados. É o melhor resultado do país. Também estamos sendo pioneiros no Brasil ao implantar a vacina contra o HPV, que, pra nós, tem uma importância tremenda, pois previne o câncer e outras doenças. Situação semelhante em relação à Carreta da Mulher, que em 10 meses realizou mais de 30 mil exames preventivos.

As ações de melhoria ao acesso aos serviços de saúde pública do DF descritas acima só foram possíveis de acontecer em função de investimentos pesados na reestruturação do sistema.

Em dois, foram contratados mais de nove mil novos profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros, odontólogos, fisioterapeutas, assistentes sociais, nutricionistas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, motoristas, administradores e técnicos de várias especialidades. Essas contratações representam mais do que foi realizado em 10 anos nos governos anteriores.

Em praticamente todas as unidades de saúde houve reformas e aquisição de novos equipamentos. O desabastecimento de insumos de saúde, uma chaga propositadamente criada para encobrir todo tipo de “mal feito” está reduzida a níveis baixíssimos. A execução do orçamento da saúde, motivo de permanente crítica, é crescente e superior aos governos anteriores.

Aumentar a responsabilização dos profissionais de saúde e garantir que a hora contratada seja de fato trabalhada tem na implantação do Ponto Eletrônico o seu marco. Esse sistema já funciona na administração central de SES DF e no Hospital de Base.

Cabe ressaltar que todos esses avanços foram realizados sem quebrar a gestão pública do sistema de saúde. A administração do SUS-DF, diga-se de passagem, tem a segunda maior capacidade instalada de serviços públicos de saúde do país, é feita de forma direta sem a transferência da responsabilidade da gestão para Organizações Sociais, como é feito em outras unidades da federação.

Mas então, chegamos ao paraíso? Evidentemente que não! Há muito por fazer e a situação ainda é difícil. Todavia, está claro para quem quiser ver, que não estamos no caos! Insistir nessa tese pode acarretar em efeitos colaterais graves. Possivelmente, o mais perverso e paradoxal seja incitar a população a danificar os próprios equipamentos de saúde e até a agredir os profissionais de saúde.

O governador Agnelo Queiroz afirma, com uma convicção inabalável, que está em curso uma revolução silenciosa na saúde pública do DF. Essa convicção também é crescente na população de Brasília. Da onde vem essa convicção? Não importando quem esteja à frente da Secretaria de Saúde hoje, assim como se levarmos em conta os atores políticos que já tiveram a responsabilidade de gerir a saúde pública do DF, ou mesmo os atores políticos que estão em cena no momento, não encontraremos alguém com maior capacidade e compromisso em resolver os problemas da saúde pública do DF do que ele. Portanto, vamos para frente, como disse o poeta: “Se muito vale o já feito, mais vale o que será.”

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