Um papo sério sobre as eleições no DF

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franciscoProfessor
Por Francisco de Paula L. Jr.

 
Esta semana, uma aluna minha do curso de jornalismo, e interessada por política (coisa rara entre os jovens de hoje, infelizmente) me fez uma indagação em tom de provocação: “Professor, e o DF hein, o que o senhor acha que vai dar aqui nestas eleições?”.
Respirei fundo, mas “mordi a isca”, e engatei o seguinte dialogo com ela.
Olhe, acho que o governador Agnelo já está no 2º turno. Resta saber com quem, não é?
Ela franziu as sobrancelhas e exclamou: “Com toda esta reprovação ao governo dele, segundo pesquisas, como assim, de onde o senhor tirou esta ideia, me explique isso melhor?”.
Ora, é bem verdade que as pesquisa vem demonstrando a reprovação ao atual governo e não é de hoje. Como vem, também, mostrando a elevada intenção de votos no ex-governador Arruda, ponto.
Acontece que, a grande falha deste governo, a meu ver, não é a falta de ações, mas a comunicação interna e externa. Principalmente pela amplitude da base aliada e da diversidade de partidos e interesses que a compõem. Este governo trabalha e muito, mas não estava conseguindo mostrar para a população, até agora, os frutos do seu trabalho.
Quer um exemplo?
Nem conheço pessoalmente o ex-secretário de saúde do DF, o Dr. Rafael Barbosa, mas sei que ele já atua nesta área, e de antes desse governo, em programas como saúde da família, por exemplo. Então, ele conhece as demandas, desafios, etc. Claro que existem muitos problemas a resolver neste setor, e sempre haverá, pois saúde pública é algo muito caro e com parte da tabela de custos calculada em dólares.
Mas este governo investiu em saúde, por pessoa, mais do dobro da média nacional. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na Pesquisa de Informações Básicas Estaduais(Estadic/2013), o GDF investiu R$ 924,14, contra R$ 381,31 da média nacional por pessoa em saúde. Apesar desses desafios e investimentos, e do inevitável enfrentamento ao velho corporativismo que domina os serviços públicos no Brasil, avançamos e muito.
O DF é a única cidade no mundo autosuficiente em leite humano, por exemplo. Além das tais carretas, que prestam um baita serviço à população carente. Eu mesmo já ouvi uma senhora humilde elogiar o atendimento que recebeu em uma que estava estacionada no Núcleo Bandeirante. Por isso, Rafael Barbosa, que é pré-candidato a deputado federal, recebe elogios diários nas redes sociais(estas que terão grande peso nas eleições do DF), onde não achei, até esta data, declarações contra a sua gestão.
Quer outro exemplo?
Converse com um taxista que serve na área do aeroporto JK. Eu ouvi de dois, esses dias, que as obras do viaduto mudaram e para muito melhor o trabalho deles, “antes eu fazia uma ou, no máximo, duas corridas por dia. Hoje, faço até quatro”, disse um deles em tom de completa aprovação à obra e, consequentemente, ao GDF.
Mas, minha cara aluna, entrando para o universo dos números das pesquisas, como você bem citou, devemos considerar o seguinte:
Cerca de 70% dos eleitores do DF ainda não decidiram em quem votar nas próximas eleições, segundo pesquisas recentes. Então, quem estiver bem ou mal nas pesquisas, assim estará em um universo de apenas cerca de 30% dos nossos eleitores. Bem menos da metade. Isso significa dizer que, quem estiver muito bem avaliado, tende a cair, e mal avaliado poderá, caso o eleitor assim tenha motivos, subir e ganhar votos. Esta é a regra para esses cenários. Vale para Dilma, Aécio e Eduardo Campos, como vale, também, para Arruda, Agnelo e demais pretendes ao GDF, entendeu?
Ou seja, se Eduardo Campos e Aécio só tendem a subir nas avaliações do eleitor, para Dilma só resta cair. Aqui no DF, se Agnelo subir por conta do reconhecimento, mesmo que já demorado, mas não tardio, de suas realizações, só restará a Arruda cair.
Mesmo Arruda não sendo barrado pela justiça, o que desejo que aconteça para termos uma verdadeira e salutar disputa eleitoral entre ele e Agnelo, ele poderá chegar às urnas “sangrando” por conta daquele eleitor que deseja “não perder” seu voto, dando-lhe a um candidato com problemas com a justiça. Mesmo, como acontece e muito ainda no DF, o eleitor apostando que Arruda teria sido vítima de uma “grande armação” e que seria, portanto inocente. É o chamado voto útil.
Por outro lado, caso Arruda não possa ser candidato, imagino um cenário bem igual ao da eleição anterior. Não vejo ainda, entre os pré-candidatos ao GDF, alguém com capacidade de convencer o eleitor de que seria capaz de derrotar o Agnelo.
“Sim, professor, isso significa que Agnelo vai ganhar é isto?” Indagou a intransigente aluna. Não necessariamente, respondi. Mas a questão, como disse antes, é saber quem e em que circunstancia chegará ao 2º turno para disputar com ele e, mais ainda, como os cerca de 70% dos eleitores do DF ainda indecisos vão começar a decidir pelo voto após a copa do mundo.
Ela arrematou: “Ah, entendi, então teremos os mais longos e angustiantes cinco meses dos últimos anos?” Claro que não, logo após a copa, saberemos entre quem escolher no segundo turno no DF. Agnelo e mais alguém, respondi.
Francisco de Paula L. jr, 47, jornalista, cientista político pela UnB e professor de jornalismo em diversas disciplinas, nas Faculdades Icesp/Promove, do DF. fpaulalj@gmail.com

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