A obra, segundo laudo pericial, foi superfaturada em valores que, corrigidos, podem chegar a mais de R$ 450 milhões

A Arena Fonte Nova, em Salvador, continua na mira da Polícia Federal (PF). A investigação da Operação Cartão Vermelho mostra que licitações do estádio foram direcionadas para beneficiar o grupo Odebrecht e a empreiteira OAS, além de apontar o desvio de verbas públicas, lavagem de dinheiro e superfaturamento. Nesta manhã de segunda-feira (26/2), agentes da PF cumprem sete mandados de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
Os mandados são cumpridos em órgãos públicos, empresas e endereços residenciais dos envolvidos no esquema criminoso, para buscar e apreender provas complementares dos crimes. A PF apura irregularidades na contratação dos serviços de demolição, reconstrução e gestão do estádio baiano.
Propina e financiamento de campanhas
Em nota, a PF afirma que a licitação que culminou com a Parceria Público Privada nº 02/2010 “foi direcionada para beneficiar o consórcio Fonte Nova Participações – FNP”, formado pela Odebrecht e OAS. A obra, segundo laudo pericial, foi superfaturada em valores que, corrigidos, podem chegar a mais de R$ 450 milhões. Grande parte dos valores desviados pela corrupção era usada para pagar propina e financiar campanhar eleitorais.
A Arena Fonte Nova foi construída em 2010, pelo consórcio formado pela Odebrecht e a OAS, na gestão do então governador Jacques Wagner (PT).
Operação Fair Play
Em agosto de 2015, a Operação Fair Play, as denúncias de superfaturamento em obras de estádios evidenciaram desvios milionários e as suspeitas do envolvimento de agentes públicos para favorecer as construtoras. As autoridades apreenderam planilhas em diversos escritórios da Odebrecht para examinar os custos relativos aos estádios do Corinthians, Maracanã e Fonte Nova.
Também em agosto de 2015, um informe do Tribunal de Contas da Bahia revelou sobrepreço nas obras da Arena Fonte Nova.O Tribunal concluiu que, no acordo de parceria público-privada, o valor repassado pelo governo baiano às construtoras, de mais de R$ 107 milhões por ano até 2025, seria “excessivo”.





