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    Petrobras registra lucro bilionário enquanto energia pesa mais no bolso dos mais pobres

     

    Ativistas protestam em frente à Petrobras durante a Assembleia Geral Ordinária que define a distribuição de mais de R$ 110 bilhões em lucros

    Créditos: Lucas Landau

    Rio de Janeiro – Durante a Assembleia Geral Ordinária da Petrobras, nesta quinta-feira (16/4), um grupo de organizações da sociedade civil protestou em frente ao prédio da petrolífera, no Rio de Janeiro, cobrando por transição energética justa e justiça climática.

     

    A empresa, que divulgou lucro superior a 110 bilhões de reais em 2025, é alvo de críticas pela incoerência ao contratar diversos influenciadores para abordar o tema da transição energética justa, ao mesmo tempo em que reduz o orçamento para projetos relacionados à agenda.

     

    Em nota divulgada em março de 2026, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, reforçou o foco da empresa na expansão da produção de combustíveis fósseis: “O ano de 2025 foi extraordinário em termos de produção. O aumento do volume de óleo e gás nos permitiu compensar os efeitos da queda do Brent e alcançar resultados financeiros robustos”.

     

    Os lucros astronômicos da empresa são divulgados menos de 10 dias antes do início da da 1ª Conferência Internacional sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, que acontecerá de 24 a 29 de abril de 2026, em Santa Marta, Colômbia. Contraditoriamente, o Brasil é um dos principais atores no evento, já que se mantém à frente da Presidência da Conferência da ONU sobre o Clima (COP) até novembro deste ano.

     

    Em seu Plano de Negócios 2026-2030, a Petrobras reduziu em 20% os recursos previstos para a transição energética. A empresa vem se mostrando descolada dos compromissos globais já assumidos pelo Brasil de reduzir emissões. Tanto que mantém planos de expandir suas fronteiras exploratórias em direção à Foz do Amazonas e outras bacias sedimentares do litoral norte do país, mesmo diante das projeções da Agência Internacional de Energia (AIE) de que a demanda por petróleo atingirá seu pico até 2030 e depois entrará em declínio.

     

    Há caminhos possíveis e lucrativos para a Petrobras deixar para trás os combustíveis fósseis. O posicionamento “A Petrobras de que Precisamos”, lançado pela rede de organizações do Observatório do Clima em setembro de 2025, propõe que a Petrobras priorize investimentos em baixo carbono, diversificando seu core business; realoque investimentos planejados em novas refinarias na ampliação da participação de novos combustíveis de baixo carbono na matriz energética, reduzindo a demanda interna de derivados de petróleo – uma ação necessária, como mostra a guerra no Oriente Médio, que vem afetando preços e abastecimento de combustíveis fósseis em todo o mundo; e aproveite sua experiência para investir em biocombustíveis, sobretudo os de segunda e terceira gerações, diesel verde (HVO) e combustível sustentável de aviação (SAF).

     

    “A Petrobras pode e deve liderar ações mais efetivas na perspectiva da transição energética. Necessita internalizar a gravidade da crise climática e diversificar seus investimentos, com atuação concreta em fontes renováveis, que vá além da esfera narrativa.”Suely Araújo, Coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima.

     

    “Os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã jogaram por terra a suposta ‘segurança energética’ associada aos combustíveis fósseis e expuseram a urgência financeira da transição energética para garantir a soberania dos países. Portanto, os planos da Petrobras de ampliar investimentos em combustíveis fósseis, ainda mais sobre áreas de alta sensibilidade ambiental, como a Foz do Amazonas, em detrimento de fontes renováveis e combustíveis de baixo carbono, são um risco para a perenidade econômico-financeira da própria empresa. Pelo papel que a Petrobras desempenha na economia nacional, é crucial que a empresa se torne uma empresa de energia, liderando de fato uma transição energética justa e deixando para trás seu passado petrolífero.”Shigueo Watanabe Jr., pesquisador do ClimaInfo.

     

    “Eles lucram bilhões, enquanto nós pagamos: como contribuintes, porque pagamos pelos subsídios fósseis, pelos danos ambientais causados pela exploração de petróleo e gás, nas contas de luz, gás e combustível, que comprometem boa parte da renda das famílias, e nos impostos, que cada vez mais precisam ser realocados para lidar com perdas causadas por desastres climáticos.”, comenta João Cerqueira, Diretor da 350.orgBrasil.

     

    Confira fotos e vídeos da manifestação neste link.
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