E-mail mostra que operador de Cabral indicou contas do PMDB para repasse de propina por doação eleitoral

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Troca de mensagens foi fornecida por executiva da Carioca Engenharia

POR GUSTAVO SCHMITT / DIMITRIUS DANTAS*

Em troca de e-mails, Carlos Miranda envia as informações para Tânia Fontenelle – Reprodução

 

SÃO PAULO — Um e-mail anexado ao processo da Operação Calicute, que levou à prisão na quinta-feira o ex-governador Sergio Cabral, revela que Carlos Emanuel de Carvalho Miranda, o Carlinhos, apontado como operador de Cabral, indicou contas do PMDB para que a executiva e membro do conselho da Carioca Engenharia, Tânia Maria Silva Fontenelle, fizesse repasse de propinas ao PMDB por meio de doações eleitorais. A mensagem foi apresentada como prova pela própria Tânia, no âmbito do acordo de leniência da empreiteira, de que a Carioca realizava pagamento de propina por meio de doações oficiais.

 

Fontenelle foi responsável pelo setor financeiro da empresa e, segundo os procuradores do MPF, era responsável pelos repasses de propina da empresa. Devido ao acordo firmado com a Carioca, a força-tarefa apurou que também Tânia era também a responsável da empreiteira para entregar valores em espécie a Carlos Miranda que, segundo os investigadores, concretizam o repasse de vantagens indevidas a Sérgio Cabral. Executivos da Carioca revelaram à força-tarefa o pagamento de cerca de R$ 28 milhões de propina ao grupo político de Cabral.

Na mensagem enviada no dia 13 de setembro de 2010, Carlinhos envia os números das contas para que Fontenelle faça os depósitos para o comitê financeiro do PMDB do Rio. No documento em que pediu a prisão preventiva dos acusados, o Ministério Público Federal afirmou que, após a quebra de sigilo dos e-mails de Carlos Miranda, não encontrou quaisquer e-mails de Tânia Fontenelle ou da Carioca Engenharia. “A demonstrar que o representado [Carlos Miranda] apagou as mensagens, possivelmente com intuito de destruir provas”, afirmaram os procuradores.

Na troca de mensagens, Carlos Miranda inicialmente pede de Tânia a permissão para passar seu contato a três outras pessoas. Posteriormente, envia outra mensagem em que avisa da mudança da conta do partido.

“Tânia, recebi nesse instante a informação que a conta do partido que deve ser creditada mudou. Desculpe a confusão. Você pode corrigir a informação e me confirmar se será feito até segunda?”, questiona Carlos.

Os procuradores também encontraram trocas de e-mails e ligações entre Carlos Miranda e familiares de Sérgio Cabral, inclusive seus filhos. Não há relatos, entretanto, de ligações entre ambos. De acordo com os procuradores, foram encontradas no e-mail de Carlos Miranda mensagens que indicam que o homem de confiança de Sérgio Cabral utilizava aplicativos de comunicação criptografadas, que impedem a leitura de pessoas não autorizadas.

*Estagiário, sob supervisão de Flávio Freire

Fonte: O Globo

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