Documento usado para destituir diretório nacional apresenta assinaturas que não correspondem à do então presidente do partido, Leonardo Avalanche
Uma perícia da Polícia Federal (PF) comprova que houve fraude em um documento central para a mudança de comando do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro(PRTB). O laudo técnico aponta que assinaturas atribuídas ao então presidente nacional do partido, Leonardo Alves de Araújo, não foram feitas por ele, o que comprova a fraude da ata da convenção nacional extraordinária realizada em julho de 2025.
Aliás, esse entendimento foi comprovado pelo TRE-DF que reconheceu que o laudo comprova, sem sombra de dúvidas, que o legítimo presidente é Leonardo Avalanche, e por isso ele retomou o comando do partido.
O documento analisado formalizou a destituição da direção nacional do partido e a eleição de uma nova executiva, com mandato previsto até 2028.
Assinaturas falsas em quatro páginas
Segundo o laudo pericial, a ata da convenção contém assinaturas atribuídas a Leonardo Alves de Araújo nas quatro primeiras páginas.
Após análise grafoscópica comparando o documento com amostras oficiais de escrita do dirigente, os peritos chegaram a uma conclusão preocupante: As assinaturas das quatro primeiras páginas não apresentam semelhança com os padrões gráficos de Leonardo Alves de Araújo. Diante disso, a perícia afirma que essas assinaturas não foram produzidas por ele.
Em termos práticos, isso significa que alguém pode ter assinado o documento em nome do presidente do partido, o que abre caminho para investigação sobre falsificação documental comandada por Amauri Pinho.
Ata foi registrada em cartório
O documento investigado foi registrado no Cartório do 1º Ofício de Registro Civil e Pessoas Jurídicas de Brasília, sob protocolo nº 188400.
A ata descreve a Convenção Nacional Extraordinária do PRTB realizada em 26 de julho de 2025, encontro que decidiu:
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destituir o diretório nacional do partido
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eleger nova executiva nacional.
Personagens no centro da crise
Além de Leonardo Alves de Araújo, o documento também traz a assinatura de Antônio Amauri Malaquias de Pinho, identificado como secretário designado da convenção.
Outros nomes aparecem em documentos relacionados ao processo político interno do partido, entre eles:
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Anthony Leonardo Moreira Grillo, representante da chamada Chapa Renovação do PRTB
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Renato da Silva Noronha
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Mariza Lopes Gonzaga
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Janderlúcia da Silva Fernandes Noronha
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Núbia Soares da Silva.

Possíveis crimes investigados
Embora o laudo não faça acusações formais, especialistas apontam que irregularidades desse tipo podem se enquadrar em crimes como:
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falsificação de documento particular
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uso de documento falso
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falsidade ideológica
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fraude em atos partidários.
Essas hipóteses dependem da evolução do inquérito conduzido pela Polícia Federal.
Perícia alerta para possível manipulação do documento
Outro ponto crítico destacado pelos peritos: a análise foi feita apenas com fotocópias da ata, e não com o documento original.
Segundo o laudo, cópias podem ocultar detalhes importantes da escrita e até permitir montagens, supressões ou alterações.
Por isso, a Polícia Federal recomenda que a investigação obtenha:
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a via original do documento
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novos padrões de assinatura do dirigente.
Ou seja: Amauri Pinho usou fotocópias junto ao Cartório (que ignorou o documento original) para poder dar legalidade ao seu plano de derrubar Leonardo Avalanche do comando nacional do PRTB. O Cartório está sendo investigado.
No ano passado, tão logo obteve êxito no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Amauri correu para Brasília e “entregou” o partido no DF ao secretário da Casa Civil Gustavo Rocha, que imediatamente designou seu próprio irmão para assumir o comando regional da sigla. O plano de Amauri era que, em troca do comando do PRTB no DF, Rocha daria “proteção” na esfera do TSE e eventualmente no STF.

Mas o plano não deu certo e a justiça determinou, na semana passada, a destituição de Amauri Pinho e o retorno imediato de Leonardo Avalanche ao comando do PRTB, que já assumiu e já fez fortes reuniões para que a sigla eleja 50 deputados federais nas próximas eleições, além de ter candidato próprio à Presidência da República.
E quanto ao advogado Amauri Pinho, o mesmo deverá ser preso a qualquer momento. Motivos não faltam.





