O imbróglio nas articulações para a eleição de governador tem deixado claro a acefalia política da capital. Sem os tradicionais caciques da direita, como Joaquim Roriz e José Roberto Arruda e sem um nome forte no Partido dos Trabalhadores, atores de segundo escalão ganham dimensão e embaralham desastrosamente as negociações para composição de alianças.
Entre os aprendizes de feiticeiro, talvez o que esteja em mais evidência é o presidente do Partido Social Democrático (PSD), Rogério Rosso. Em dupla com o também confuso Cristovam Buarque (PPS), ele tem tentado dar as cartas na composição de uma autoproclamada terceira via, mas suas movimentações fizeram as peças cair do tabuleiro e praticamente conseguiu implodir o grupo que havia se articulado em torno de nove legendas. Agora, Rosso, o trapalhão, tenta ser o nome para governador.
Entre os habituais nomes da fauna política, há um consenso de que Rogério Rosso estica mais as discussões do que necessário. Essa incapacidade de tomar decisões e assumir lados, protela definições importantes e fere de morte as pretensões de quem o acompanha – que diga Izalci Lucas. Sem conversas efetivamente objetivas, Rosso e seu estilo procrastinador estressa os ânimos dos seus ouvintes e cria um clima incendiário a sua volta. E agora, até mesmo o inocente Izalci sabe o por quê.
O caráter bufão de Rosso também não é uma novidade. Todos que se submeteram às análises dele não estavam enganados. Desde que ascendeu ao cargo de governador tampão do Distrito Federal, colecionou uma série de trapalhadas que seriam risíveis, não fosse a gravidade de alguns desses casos para o Distrito Federal. Confusões que deram a ele, segundo pesquisa Datafolha da época em que esteve à frente do Buriti, o título de governador com a menor taxa de aprovação do país, sendo bem avaliado por apenas 16% da população.
Não por menos, a inabilidade de Rosso começou a ficar evidente quando a primeira-dama do Distrito Federal à época, Karina Rosso, colocou-se em frente de um trator de um órgão de fiscalização para impedir uma derrubada em uma área pública. Uma hora depois da confusão envolvendo a esposa, Rogério Rosso disse que não toleraria invasão de área pública. “A empresa de fiscalização não cumpre ordens da primeira-dama. Os fiscais têm autonomia para fazer o que determina a lei”, disse Rosso na ocasião; Fato é que a tal derrubada, acabou mesmo não acontecendo, tal qual quis Karina.
Ainda à frente do Buriti, Rosso amargou outra derrota. Opositor à aliança do PT com o PMDB, que chancelaria Tadeu Filippelli como vice governador de Agnelo Queiroz, Rosso tentou mover mundos, fundos e a máquina pública – entregue a ele pelo próprio Filippelli – para vencer a disputa interna do PMDB. Mas sucumbiu ao habilidoso Filippelli, a quem havia traído. Tadeu Filippelli atropelou Rogério Rosso e sua trupe e foi eleito na chapa PT/PMDB.
Em 2014 Rosso usou o trampolim de Rollemberg para alçar voo e pousar na Câmara dos Deputados, materializando um sonho antigo, tentado desde 2006. Uma vez por lá, lançou uma patética candidatura à Presidência da Casa e colocando Brasília mais uma vez nos quadros de piada pronta.
Vestindo a camisa da Chapecoense, ele oficializou sua candidatura em vídeo postado nas redes sociais, no qual ele dizia que a Câmara era uma casa muito “reativa”. Rosso acabou derrotado por Rodrigo Maia por mais de cem votos de diferença, acrescentando ao seu currículo mais uma derrotada acachapante.
No pleito deste ano, pelo que se desenha, Rogério Rosso parece levar mais almas para o seu cadafalso de incertezas e derrotas. Muita gente está querendo abrir os olhos, mas a uma velocidade suicida. Quando finalmente enxergarem a luz, o trem já estará atropelando a todos. Muitos ficarão esquartejados; estripados pela falta de visão que os impede de ver o óbvio: em jogo de profissionais, neófitos com objetivos personalíssimos são péssimos companheiros de estrada. E ver para crer.
Fonte: Donny Silva





