Em Brasília, o vazamento seletivo de informações oriundas das investigações que envolvem o Banco Master e seu dono, Daniel Vorcaro, têm chamado atenção
De acordo com fontes ouvidas pelo Blog, atuação do ex-governador da Bahia, Rui Costa, atual ministro da Casa Civil do Governo Lula, está sendo determinante para ajudar livrar companheiros enrolados no escândalo Master.
Tão logo explodiu a denúncia contra o Banco Master, entre o final de 2025 e janeiro de 2026, a Polícia Federal deflagrou operações baseadas em denúncias anônimas e relatórios de inteligência financeira, e a luz de alerta acendeu no Planalto.

As investigações que levaram à prisão do dono do banco, Daniel Vorcaro, que ficou apenas 12 dias preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 de Guarulhos (SP).
Ele foi detido de forma preventiva, depois de a Polícia Federal suspeitar de uma possível tentativa de fuga por parte do empresário. Ele havia sido preso no dia 18 de novembro de 2025 quando se preparava para deixar o país.
Na manhã de quarta-feira (14/1), a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga o Master. Foram realizadas buscas em endereços ligados a Vorcaro e parentes dele, incluindo o pai, a irmã e o cunhado dele, Fabiano Campos Zettel.
O empresário Nelson Tanure e o ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, João Carlos Mansur, também foram alvos das buscas.
BLINDAGEM AOS COMPANHEIROS
Diante da grande repercussão do escândalo, logo surgiram informações que apontavam o possível envolvimento do senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP e do presidente nacional do União, Antônio Rueda. Investigações prosseguem mas os verdadeiros alvos tentam se esconder ou estão sendo blindados.
Segundo informações, um forte lobby na defesa dos interesses de Vorcaro foi instalado em Brasília, permitindo que o bilionário banqueiro tivesse uma vida de luxo e ostentação financiada pela trambicagem. A pessoas próximas, ele confessava ter feito “fortes amigos” na capital federal e dizia que, sem o apoio de poderosos, não estaria no lugar aonde chegou. Tal declaração caiu como uma bomba na sala de Lula.
LEWANDOWSKI
O ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, fez parte do comitê consultivo estratégico do Master. Ele foi contratado pelo banco assim que deixou o STF e, em seguida, deixou o cargo para integrar o governo Lula, de onde saiu recentemente, após o nome de seu filho, Enrique de Abreu Lewandowski, aparecer como um dos advogados da Terra Nova Trading, empresa vinculada a um esquema de fraude bilionária que envolve o Primeiro Comando da Capital (PCC). A apuração do Ministério Público de São Paulo (MPSP), da Polícia Federal (PF) e da Receita Federal mostra relações entre a facção criminosa, o setor de combustíveis e instituições financeiras. O caso foi exposto na Operação Carbono Oculto.
RUI COSTA
O ex-governador da Bahia foi chamado para tentar apagar o incêndio provocado por Vorcaro.
Quando a Polícia Federal (PF) deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero, além de prender o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, um ex-sócio do banqueiro também foi alvo da ação.
Augusto Ferreira Lima, empresário baiano de 46 anos, já havia deixado a sociedade do Master em 2024, mas teve a prisão preventiva decretada pela PF em 18 de novembro de 2025, mesmo dia em que a instituição foi liquidada. Lima figurou como um dos principais alvos da investigação por sua atuação anterior como executivo do banco.
Ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master e também preso na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, Augusto Lima ligou diretamente o PT ao escândalo de fraude no mercado financeiro. “Guga”, como é mais conhecido, casado com a ex-ministra e ex-deputada Flávia Peres (ex-Arruda), já prestou depoimento à Polícia Federal.

De acordo com a investigação, Lima articulou a entrada no negócio da Cesta do Povo na Bahia e operou o CredCesta, programa de crédito consignado formalizado justamente no governo de Rui Costa (PT), atual ministro da Casa Civil de Lula (PT). Tudo foi realizado em 2018 com articulação de Jacques Wagner, prestes a deixar a liderança do governo no Senado.
De acordo com apuração feita pelo portal Diário do Poder, 338.600 contratos de consignado do INSS entre 2021 e 2025, cerca 252 mil (74,3%) não foram teriam autorização dos aposentados em nome dos quais o crédito foi concedido, com valores descontados dos proventos em esquema semelhante das parcelas mensais de “filiação” não autorizados de sindicatos e associações picaretas autoridades. São R$ 6,7 bilhões em créditos não comprovados, mais R$ 5,5 bilhões em valores “acessórios” sem explicação — total de R$ 12,2 bilhões sob investigação.
As associações Asteba e Asseba, da Bahia, aparecem tanto no caso Master quanto na CPMI do INSS. Não possuíam estrutura compatível com o volume de crédito atribuído a elas.
GUIDO MANTEGA

O ex-ministro Guido Mantega não só conseguiu um encontro de Vorcaro com Lula, mas fazendo jus ao seu polpudo contrato de consultoria com o Master, fez lobby junto ao Banco Central para a aprovação da operação de venda do Master ao BRB e também pela não intervenção no banco de Vorcaro.
SAI TOFFOLI, ENTRA DINO

Até agora, com alguns relatórios preliminares já divulgados (vazados) na imprensa, é fácil detectar o modus operandis do governo do PT.
Com vazamentos seletivos e apoio de grandes veículos de comunicação aliados (bem pagos, aliás) ao petismo, dá para ter uma ideia do novo alvo escolhido pela cúpula petista para salvar companheiros envolvidos no escândalo Master: Dias Toffoli, ministro do STF.
Boa parte do petismo não confia em Toffoli e dentro do Planalto é quase visível a torcida para que o ministro deixa o caso do Banco Master e que o mesmo caia nas mãos do companheiro Flávio Dino, ministro do STF. Afinal de contas, os tentáculos do Banco Master atingem em cheio o PT.
Dias Toffoli marcou para os dias 26 e 27 de janeiro os depoimentos no inquérito que investiga o Banco Master e autorizou o acesso das defesas aos autos da investigação.
As datas foram sugeridas pela PF, e os depoimentos serão colhidos por videoconferência e na sede do Supremo, em Brasília.
Serão ouvidos Dario Oswaldo Garcia Junior, André Felipe de Oliveira Seixas Maia, Henrique Souza e Silva Peretto, Rogério Cesar Bonfim Mangueira, Luiz Antonio Bull, Angelo Antonio Ribeiro da Silva e Augusto Ferreira Lima. Inexplicavelmente Daniel Vorcaro não será ouvido neste momento.
OPERAÇÃO ABAFA

Banco Master contou com uma série de conselheiros e aliados próximos ao círculo de Lula, ao PT e ao seu governo. Entre os nomes mais citados em relatórios e investigações estão o ex-ministro Ricardo Lewandowski (Justiça), o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, assim como são conhecidas as conexões de Vorcaro e seus sócios com o ministro Rui Costa (Casa Civil) e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT).
Com as digitais de Mantega, Rui Costa e Lewandowski, o governo Lula se vê obrigado a tentar imputar a terceiros a crise que envolve o Master, e livrar a cara de companheiros de longa data. A ideia é fazer com que Toffoli renuncie a relatoria do caso do Banco Master no STF para que Flávio Dino assuma.
Uma suposta “lista” de autoridades, políticos e figuras influentes, no “ecossistema” de relações privilegiadas do banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal em novembro, explicaria o véu de segredos imposto às investigações.
Por decisão monocrática, Toffoli ordenou que a CPMI do INSS foi até proibida de acessar dados da quebra de sigilos de Vorcaro e do Master, onde possíveis “pagamentos” disfarçados poderiam emergir. A proximidade de Vorcaro com autoridades dos três poderes é notória em Brasília.
É por isso que PT, PSB, PDT e aliados não querem a instalação da CPMI do Banco Master. A PF está dividida entre o lado que quer apurar tudo e outro que quer esconder fatos para blindar companheiros que estão no poder e culpar terceiros.

Por isso a importância do grupo petista de trocar Toffoli por Dino. Esse é o atual objetivo do PT, nem que isso represente jogar Dias Toffoli aos tubarões.





