Agnelo: em busca dos indecisos

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O candidato petista à reeleição traça um perfil de campanha que visa enaltecer os feitos de seu governo. Segundo ele, seu maior erro foi não ter investido em publicidade e agora corre para apresentar aos eleitores indecisos as obras que disse ter feito

CAROL GUITTON LEAL
aleal@grupocomunidade.com.br Redação Jornal da Comunidade

agnelo2014:entrevistaDiante dos resultados da mais recente pesquisa que apontaram Agnelo Queiroz (PT) como candidato com maior rejeição, 47%, ele trava, agora, uma batalha com quem acredita ser seu maior adversário: ele mesmo. O petista tem cerca de vinte dias para reverter o alto índice impopular e acolher os eleitores que ainda estão indecisos. Para tanto, ele traça uma nova estratégia de campanha, deixa de lado os ataques aos concorrentes e usa os espaços midiáticos como vitrine de apresentação dos feitos de seu governo. Ele acredita que foi na publicidade que mais errou. “Me preocupei tanto em criar as condições para realizar e na realização em si, que não dei a devida importância à comunicação do que estávamos fazendo. Hoje, Brasília é uma cidade mais justa, menos desigual. É isso o que estou mostrando para as pessoas”, observou o candidato. Agnelo Queiroz desafia qualquer governo a provar que fez mais por Brasília do que ele. “Eu sou candidato a ficar mais quatro para concluir as obras e realizações que começamos”.

Como o senhor vê essa instabilidade jurídica nas eleições de 2014?
Esta é uma questão que deve ser resolvida pela Justiça e pela polícia. Há uma evidente tentativa de burlar a Lei; temos que esperar que se faça a vontade do povo e mantenha-se a conquista representada pela Lei da Ficha Limpa.

O senhor é a favor de eleição para administrador regional?
Como governador não posso ser nem contra nem a favor. Esta é uma questão que deve ser definida pelo Congresso Nacional. Como cidadão, sou contra. Acredito que o povo deva participar do processo de escolha do administrador regional e precisamos encontrar um meio de viabilizar a participação popular; mas não acredito que a eleição direta seja o melhor caminho, porque o administrador, como o nome indica, é um gerente do governo. Se o gerente não obedece às diretrizes do governo é substituído. Imagine se um administrador eleito decide, por conta própria, não realizar alguma determinação do governo. O que acontece com ele? Nada. Não pode ser demitido. Se for pego em algum malfeito? Quem poderá exonerá-lo do cargo? Isso é demagogia. Gosto da ideia de ter uma participação popular na escolha do administrador, mas é preciso fazer um debate mais amplo e não decidir em cima das pernas.

O que o povo pode esperar de seu segundo mandato?
Eu encontrei uma cidade envergonhada, moralmente arrasada e endividada. Passei quase dois anos deste primeiro mandato arrumando a casa. Mesmo assim, estou entregando mais de 5.300 obras, volume maior do que o de qualquer governo; erradiquei o analfabetismo do Distrito Federal, 160 mil famílias saíram da miséria, construí 28 creches, estou fazendo mais 30, metade das escolas públicas já funciona com educação integral, estamos construindo 100 mil habitações. Vou completar as creches que comecei, terminar as reformas para transformar todas as escolas em educação integral, concluir, enfim, todas as obras que estão em andamento, como o asfalto em todas as vias do DF, os Expressos DF Norte, Oeste e Sudoeste.

Na saúde, quero completar o sistema de Unidades de Pronto Atendimento e construir mais 40 Clínicas da Família, ampliar ainda mais o número de equipes do Saúde da Família para resolver o problema da atenção básica, reduzindo as questões de urgência e emergência. Quero inaugurar a segunda etapa do Hospital da Criança, que em apenas três anos já fez mais de um milhão de atendimentos. Assim poderemos atender a 10 vezes mais pacientes.

Como estão as contas com relação ao pagamento de fornecedores e empresas que trabalham diretamente com o governo?
Todos os compromissos estão sendo cumpridos de acordo com o calendário de receitas e despesas. Todos serão pagos.

O que o senhor atribui a alta rejeição? Não acha contraditório dizer que foi um governo realizador e ter a maior rejeição?
Não sou publicitário nem marqueteiro. Eu não digo que é um governo realizador: eu mostro. As obras estão aí para todo mundo ver, estão na internet, publicamos um livro. O nome disso é transparência. Eu desafio: nenhum governo fez o que fizemos. Preciso reconhecer, no entanto, que deixei a comunicação de lado; prestei contas, mas não me preocupei em fazer uma publicidade mais efetiva. Nos últimos meses as pessoas começaram a ver o que fizemos em todas as áreas, em todas as cidades, mesmo com as dificuldades iniciais, finanças conturbadas, muitas obras paradas. A rejeição, acredito, vem do fato de as pessoas estarem acostumadas com uma publicidade mais agressiva dos governos anteriores. Nós apenas prestamos conta e isso não foi suficiente. Agora as obras estão aí, estamos usando o período eleitoral para mostrar nossas ações, realizações que estão mudando a vida de centenas de milhares de pessoas.

O senhor afirma que fez mais de 5 mil obras, quais são as áreas mais beneficiadas?
Eu não afirmo. Eu mostro. Publicamos na campanha um livro que mostra todas elas; aliás, estão disponíveis para todos na internet. É só entrar no site www.obrasdoagnelo.com.br que estão todas lá. Estão lá as obras grandes, como o Expresso DF Sul, o estádio Mané Garrincha, a reforma da Torre de TV, oito novos Centros Olímpicos e Paralímpicos, seis UPAs, até ações menores, localizadas, mas que são importantes para as comunidades, como praças, reformas de centros de saúde e transformação de escolas para oferecer educação integral. Estão lá também todas as obras que estavam paradas por irregularidades, que nós regularizamos e inauguramos, como a Torre de TV Digital, o viaduto da W3 Sul, Hospital de Santa Maria e até o Planetário, que estava parado há 16 anos. Também estão as obras novas em andamento, como o Expresso DF Norte, com corredor exclusivo para ônibus que vai ligar Planaltina ao Plano Piloto; a Via Expressa Torto-Colorado, com a duplicação da pista do balão do Torto ao Colorado; e o Trevo de Triagem Norte.

O senhor acha que foi um erro ter assumido o compromisso em 2010 de ser secretário de Saúde nos primeiros três meses de governo?
De forma nenhuma. Investi R$ 17,5 bilhões na saúde, deixando claro a prioridade da área, e se eu não estivesse à frente da pasta isto dificilmente seria possível. O que eu não esperava – ninguém esperava, aliás – é que a situação estivesse tão degradada, que a situação fosse tão grave ao ponto de termos que fechar um hospital por causa de infestação por piolho de pombo. No Hospital de Santa Maria, por exemplo, tive que enfrentar uma decisão judicial para que o atendimento não fosse interrompido. Havia problemas por toda parte, gravíssimos. Fizemos grandes avanços, além das UPAs e das clínicas da família: aumentamos o número de leitos de UTI, de 236 para 445, fomos recordistas em transplantes de córnea, coração, rim e fígado, fomos credenciados para os transplantes de pulmão e medula óssea, ampliamos a cobertura da Atenção Primária à Saúde de 27,7% para 58,8%, ampliamos o número de equipes da Saúde da Família, de 117 para 259, reformamos hospitais e postos de saúde. É preciso fazer muito mais, reconheço. Mas nós avançamos. Com mais quatro anos, podemos fazer as seis UPAs que faltam, mais 40 Clínicas da Família, terminar as reformas em todos os hospitais, fazer o hospital do Recanto das Emas, o novo Hospital do Gama, o Hospital do Câncer, o do Transplante e o do Trauma. Dá para organizar o sistema de saúde pública do DF.

O senhor tem ações no STJ? Que ações são essas?
A pergunta está dirigida ao candidato errado. Não sou réu em qualquer processo em tramitação no STJ.

Entre seus adversários, qual considera seu principal concorrente?
Eu mesmo. Sou médico, não entendo de marketing. Durante meu governo fiz mais de 5.300 obras – bem mais aliás -, estamos fazendo o maior programa habitacional do Brasil, mudando toda a estrutura do transporte urbano de Brasília, criamos a Fábrica Social para ensinar uma profissão para mães de família, o programa Asfalto Novo está recuperando seis mil quilômetros de ruas e avenidas, estamos investindo R$ 5,7 bilhões para fazer alterações profundas no sistema de saúde pública. Ou seja, há muitas realizações para mostrar e que muita gente não tomou conhecimento. Mas a hora de falar é agora e muita gente tem se surpreendido com o volume de realizações que temos para mostrar.

Qual o recado que o senhor dá ao o eleitor que ainda está indeciso?
Esta é a hora de decidir, ver o que fizemos. Não sou publicitário, não entendo de marketing e talvez não tenha sabido mostrar o que fizemos nos primeiros anos de governo, apesar das dificuldades iniciais, que foram muitas, herança de uma situação que fez o Distrito Federal ter quatro governadores no período de um ano. Mas as obras e a ações estão aí; mais do que qualquer governo fez, em qualquer área. Fizemos mais casas populares, investimos mais na saúde, metade das nossas escolas já tem educação integral, já instalamos 442 câmeras de segurança em todo o DF e vamos chegar a quase 3.000 até 2015, fizemos oito Centros Olímpicos e Paralímpicos, reformamos dezenas de postos de saúde, fizemos seis UPAS e estamos fazendo mais duas, já com verba garantida para fazer mais quatro. É um período de muitas realizações e transformações para todo o Distrito Federal. São mais de 5.300 obras, muito mais que o dobro que qualquer governo fez. O eleitor pode pesar tudo isso e ter a certeza que agora, com a casa arrumada, poderemos fazer muito mais.

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